Jornalistas sentem-se ameaçados pela Inteligência Artificial, mas também veem vantagens

Jornalistas sentem a necessidade de haver normas que os guiem no uso da Inteligência Artificial.

Um estudo do Observatório Social para a Inteligência Artificial e Dados Digitais, divulgado esta terça-feira, mostra que grande parte dos jornalistas revela falta de conhecimento no uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA).

“Aproximadamente 60% dos jornalistas participantes [neste inquérito] não possuem conhecimento aprofundado sobre IA e 84% nunca receberam formação, embora, seja importante dizer que declaram estar interessados em adquirir essa formação”, afirma o investigador Paulo Nuno Vicente, um dos autores do estudo.

Outras das conclusões mostra que os jornalistas querem ter orientações para o uso da IA, apesar de “mais metade confirmar que não existem nas suas empresas de média ou não sabem se foram implementadas”: “Existe aqui um desfasamento entre o reconhecimento da necessidade de haver diretrizes sobre IA e a inexistência, ou desconhecimento da existência, por parte dos jornalistas nas empresas em que estão.”

Os inquiridos reconhecem que a inteligência artificial vai alterar o jornalismo, com desafios para a profissão.

“Uma grande maioria dos jornalistas reconhece que o ofício enfrenta o risco de ser substituído por outras práticas e soluções desenvolvidas por empresas tecnológicas, ou seja, empresas que não têm uma natureza jornalística”, afirma o investigador do Instituto de Comunicação da Universidade Nova de Lisboa.

Paulo Nuno Vicente acrescenta que “se existe a perceção de que as aplicações de IA podem ser um apoio relevante no tratamento de grandes quantidades de dados, na maior agilização de algumas tarefas mais repetitivas, por outro lado, há o reconhecimento de que há desafios muito significativos para o jornalista”.

“60% dos jornalistas inquiridos sentem que há riscos e mostram receios quanto à incorporação de IA na prática jornalística”, afirma Paulo Nuno Vicente.

O investigador diz que os jornalistas sentem uma necessidade de haver orientações no uso desta tecnologia na profissão, que podem surgir a partir de entidades como “o Sindicato dos Jornalistas ou a Comissão da Carteira”.

Para este relatório, produzido em parceira com o Sindicato dos Jornalistas, foram inquiridos 74 jornalistas, entre 2 de março e 17 de abril de 2024.

O relatório “Jornalistas e Inteligência Artificial: Perceções, Práticas, Desafios e Oportunidades” vai ser apresentado esta terça-feira, às 17h, no Auditório A224 do Colégio Almada Negreiros, Universidade Nova de Lisboa.