2025 na música: ligue-se a máquina calculadora

Primeiro balanço do ano musical. Quem teve as maiores audiências em concerto, quem vendeu mais discos, quem bateu recordes de visualizações. Por aqui, só números.

Iniciamos os balanços musicais do ano, olhando para os números, fazendo contagens e mais contagens: vendas de discos, visualizações, estimativas de fortunas e leilões. Mas antes, vejamos quem teve a digressão mais rentável. Os vencedores claros, diga-se, foram os Coldplay, através da "Music of the Spheres World Tour", com um encaixe de mil e quinhentos milhões de dólares, a superar largamente o registo do 2º melhor classificado, Ed Sheeran, com um registo de 875 milhões de dólares, e Bruce Springsteen, com uma receita de 730 milhões de dólares.

Foi na travessia da Ásia que os Coldplay deram os maiores concertos de estádio do século, tendo tocado para um total de 223 570 pessoas nos dois concertos que deram no Narendra Modi Stadium, em Ahmedabad, na Índia. Estes números significam que mais de 111 mil pessoas estiveram presentes em cada uma das noites no enorme estádio de críquete indiano. Trata-se não só do recorde da banda, que nunca tinha tocado para tanta gente, como, acima de tudo, dos concertos de estádio com maior assistência do século XXI.

Se os Coldplay tocaram para a maior audiência pagante, quem atraiu a maior multidão do ano foi mesmo Lady Gaga, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, diante de cerca de 2 100 000 little monsters [a designação dos seus fãs]. Lady Gaga entra agora no quadro de ouro ao vivo, como a artista feminina de música com a maior assistência de sempre. O espetáculo teve a dimensão monumental, quase a fazer concorrência com a montanha rochosa do Pão de Açúcar. Um atentado de dois bombistas, felizmente falhado, teria tido consequências imprevistas.

A nível de vendas de discos, Taylor Swift foi a campeã de 2025. A cantora norte-americana soma mais um recorde na lista de proezas que tem conseguido ao longo da carreira. O álbum "The Life of a Showgirl", editado em outubro, vendeu 3,5 milhões de unidades equivalentes a álbuns na primeira semana de lançamento, superando, segundo a "Billboard", o recorde de Adele que segurava o topo com 3,4 milhões de unidades vendidas com o disco "25" (editado em 2015). 

O álbum deste ano de Bad Bunny, “Debí Tirar Más Fotos”, foi outro fenómeno impressionante de vendas, ao alcançar a liderança de tops de mais de vinte países em todo o mundo, incluindo em Portugal e nos mercados maiores como os Estados Unidos, França ou Espanha. Só nos Estados Unidos, “Debí Tirar Más Fotos” vendeu mais de 500 mil cópias. O disco também mexeu com o mundo digital, com 264 milhões de streams em todo o mundo logo na primeira semana

A nível de views nas plataformas visuais, um dos grandes recordistas foi o rapper Kendrick Lamar. A prestação ao vivo de Kendrick Lamar no intervalo do Super Bowl tornou-se no halftime show mais visto de sempre, com mais de 133 milhões de visualizações, 38 milhões das quais no YouTube. Confirma-se a tendência crescente de mediatismo dos últimos anos à volta do halftime show do Super Bowl. As atuações musicais mais vistas de sempre correspondem exatamente aos últimos anos. O halftime show de Usher (de 2024) passa a ser o segundo mais visto, com mais de 129 milhões de views, e o de Rihanna (de 2023) o terceiro, com 121 milhões de views. Cabe agora ao próximo, Bad Bunny, superar esta marca.

Como se sabe, a música é um mundo permeável aos fantasmas do passado, que reavivam constantemente por uma razão ou outra e nós não nos importamos. Isso acontece muito com números simbólicos de views de videoclipes. O vídeo oficial dos Nirvana, ‘Smells like Teen Spirit’ (de 1991), ultrapassou a marca de 2 mil milhões de visualizações no YouTube. Este é um número raro de views para um vídeo de rock. São raros os telediscos (como se dizia antigamente) que ultrapassam o número de views de ‘Smells like Teen Spirit’ no âmbito do rock, tais como ‘Stressed Out’ (mais de três mil milhões de views) e ‘Heathens’ (mais de 2 mil milhões de views) dos Twenty One Pilots, vários clipes dos Coldplay, ‘Believer’ e ‘Thunder’ dos Imagine Dragons (ambos com mais de dois mil milhões de views), ‘Numb’ e ‘In the End’ dos Linkin Park (mais de 2 mil milhões visualizações) e ainda ‘November Rain’ dos Guns N' Roses (mais de 2,3 mil milhões de views).

Segundo as estimativas da revista Forbes, Jay Z é de longe o músico com a maior fortuna arrecadada em 2025, com dois milhões e meio de dólares acumulados, bastante mais o milhão e seiscentos mil dólares que entraram na conta de Taylor Swift. Se a vertente de negócio de Swift afeta apenas o mercado da música nas suas variantes (receitas ao vivo, royalties e catálogo), Jay Z entra por outros ramos como marcas de álcool ou tecnologia, os motivos para o rapper descolar de forma tão significativa.  

Outros números aparatosos acontecem no mundo dos leilões. Um exemplo: em Londres de guitarras e outros equipamentos musicais pertencentes ao lendário guitarrista britânico Jeff Beck permitiram um encaixe brutal mais de 9,5 milhões de euros, incluindo 1,2 milhões de euros só pela famosa guitarra Gibson Les Paul "Oxblood" de 1954. Mas há mais. O Rei do Rock & Roll também é chamado a este balanço. Um par de sapatos de camurça azuis, usados por Elvis Presley em diversas ocasiões, foram vendidos em leilão por 120 mil libras, o que equivale a 141 mil euros. Os famosos sapatos, em inglês blue suede shoes como o título da canção de Carl Perkins que o Rei do Rock gravou em 1956, foram vendidos pela leiloeira britânica Henry Aldridge and Son. Elvis Presley usou-os, por exemplo, quando participou no programa televisivo "The Steve Allen Show", em 1956.  

Em Portugal, o leilão de objetos da fadista Mísia, efetuado 'online', registou um total de vendas de 23.459 euros, segundo a leiloeira. A leilão foram vários objetos que pertenceram à fadista, que morreu em Lisboa, em julho do ano passado, como vestidos, joias, plumas, xailes, chapéus, quadros e fotografias da intérprete, algumas inéditas. O valor conseguido com o leilão “destina-se à construção de um túmulo, uma última pedra à altura da carreira” de Mísia, disse Sebastian Filgueiras, um dos herdeiros da criadora de “O Manto da Rainha”. O corpo da fadista encontra-se sepultado no Cemitério do Alto de S. João, em Lisboa.