2025 na música: o ano em que Brian Wilson nos deixou

Nuno Guerreiro, Ozzy Osbourne, Sly Stone ou Roberta Flack também se despediram de nós.

O ano musical de 2025 chorou a morte de um dos maiores génios do rock de estúdio, o compositor dos Beach Boys, Brian Wilson, por trás de alguns dos melhores álbuns de sempre, como “Pet Sounds” e de canções grandiosas como ‘Good Vibrations’. Foi o cultor de uma cultura musical veraneante, mesmo sem ter sido um surfista. Sofria de demência. Brian Wilson tinha 82 anos.

Outra lenda norte-americana partiu para o universo etéreo: Sly Stone. Ele foi o génio das fusões estilísticas como líder dos Sly & The Family Stone, uma hibridez de funk, soul e rock psicadélico que influenciaria músicos como Prince. Os anos de ouro – entre finais dos anos 60 e inícios dos anos 70 – foram rápidos mas inesquecíveis. O músico norte-americano Sly Stone morreu com 82 anos, devido a complicações várias de saúde, sobretudo problemas pulmonares.

O “Principe das Trevas” Ozzy Osbourne deixou os fãs às escuras com a sua morte, no mesmo mês em que se despediu dos palcos, no espetáculo da banda onde se projetou, os Black Sabbath. Com a sua imensa voz, Ozzy Osbourne participou na paternidade de uma nova cultura, o metal, quer em termos de som, quer em termos imagem, com os cabelos compridos, os casacos de couro e a cruz de Cristo ao peito. O cantor inglês tinha 76 anos e uma acumulação de problemas de saúde, incluindo parkinson em estado avançado. 

A música portuguesa perdeu este ano uma das suas vozes masculinas mais poderosas, Nuno Guerreiro, o cantor da Ala dos Namorados. O artista não se limitou ao projeto onde ficou mais conhecido, e aventurou-se também a solo e participou no projeto Zeca Sempre, de homenagem a José Afonso. Nuno Guerreiro morreu aos 52 anos, devido a uma grave infeção. 

A cantora inglesa Marianne Faithfull viveu várias vidas dentro da mesma encarnação como poucos. A voz metamorfeou-se de donzela inocente dos anos 60 para grave e madura no final dos anos 70. “Broken English”, de 1979, é o grande álbum de sobrevivência, após uma profunda crise de saúde e de toxicodependência. Marianne Faithfull tinha 78 anos.


O rock underground perdeu um dos seus maiores vultos, o bem americano David Thomas, conhecido sobretudo como o líder carismático dos Pere Ubu e também dos Pale Boys. O cantor norte-americano desordenou padrões e inverteu conceitos, sempre dentro de um imaginário americano absurdo. Foi um dos maiores génios do rock. David Thomas tinha 71 anos.

Morreu também o cantor D'Angelo, um dos maiores inovadores da soul dos últimos 30 anos. Bastaram três álbuns para a imortalidade. Na verdade, já bastaria um, o seu segundo álbum, o mui aclamado “Voodoo”, de 2000. D'Angelo tinha 51 anos e não sobreviveu a um cancro no pâncreas. 

A soul perdeu ainda a cantora Roberta Flack, conhecida por êxitos dos anos 70, como ‘Killing Me Softly With His Song’ ou ‘Feel Like Makin' Love’, e pelo seu estilo suave de cantar. Flack tinha 88 anos e sofria de esclerose lateral amiotrófica.

A música brasileira despediu-se de um dos seus mais invulgares músicos, Hermeto Pascoal, que embrenhou jazz com a música de raiz brasileira e usou instrumentação nada convencional como garrafas de vidro, bules de chá ou brinquedos. Até de animais se serviu para fazer música – o que chamaríamos em inglês de “pet sounds”. Hermeto Pascoal tinha 89 anos.

O hip hop nacional perdeu o rapper Makkas, que se distinguiu na formação histórica dos Black Company, conhecidos do grande público pelo tema ‘Nadar’, o primeiro grande êxito do género em Portugal. Makkas tinha 49 anos e lutava contra um cancro.

Ao longo de 2025, morreram várias fadistas, entre as quais Anita Guerreiro, aos 89 anos, Maria da Nazaré, aos 79 anos, e Fernanda Maria, aos 87. A música portuguesa perdeu ainda do mundo do folk-rock Nuno Rodrigues, o fundador da Banda do Casaco. O músico e editor tinha 76 anos. Outras enormes perdas foram as do músico e produtor Luís Jardim, com 75 anos, e do editor Mário Martins, com 90 anos.

Neste espaço temporal de 365 dias, emigraram para o mundo celeste outros cantores lendários como a figura histórica do reggae Jimmy Cliff, com 81 anos, David Johansen, vocalista dos New York Dolls, com 75 anos, e Peter Yarrow, do trio Peter, Paul and Mary, com 86 anos.

Dois grandes pianistas terminaram a sua coabitação no nosso planeta. São eles Billy Fay, da folk, e Eddie Palmieri, do jazz latino (aos 88 anos). Também do mundo do jazz, morreram o vibrafonista Roy Ayers, aos 84 anos, e o baterista Jack DeJohnette, com 83 anos. Outro baterista, mas do rock, deixou-nos: Clem Burke, dos Blondie, aos 70 anos. O guitarrista fundador dos Kiss, Ace Frehley, também conhecido pela personagem de Spaceman, faleceu com 74 anos. No baixo, dois outros vultos morreram, como os casos de Mani, dos Stone Roses e dos Primal Scream, aos 63 anos, e John Lodge, dos Moody Blues, com 82 anos. E perdemos Rick Davies, fundador e membro nuclear dos Supertramp. Morreu aos 81 anos, após uma luta de dez anos contra um cancro.

No mundo do audiovisual, do lado musical, morreu Lalo Schifrin, compositor do tema da série "Missão: Impossível", aos 93 anos, e Rebekah Del Rio, cantora de 'Llorando' no filme de David Lynch, "Mulholland Drive", aos 57 anos.

Já num âmbito mais criminal, o vocalista dos Lostprophets, Ian Watkins, foi esfaqueado mortalmente numa prisão de Inglaterra. Watkins, de 48 anos, estava a cumprir uma sentença de 29 anos numa prisão de West Yorkshire, em Inglaterra.