5 Seconds of Summer provam à Meo Arena que não há fim à vista

A passagem da banda australiana por Lisboa não deixou espaço para elefantes na sala ou músicas de fora.

Este domingo a Meo Arena recebeu o "documentário" ao vivo de 5 Seconds of Summer. Se crescem os rumores sobre o fim da banda australiana, entre a ironia e a memória, a vinda a Portugal com a digressão "Everyone's a Star!" não deixa espaço para dúvidas. A prova é dada com uma viagem pelos seis álbuns, com espaço para os lançamentos individuais de cada um dos membros.

As luzes apagam-se e a tela reflete o que parece ser o início de um documentário sobre a banda que entrelaça momentos gravados e imagens do passado, com vídeos da plateia. Numa limusine que ocupa o centro do palco surgem Ashton Irwin, Calum Hood, Luke Hemmings e Michael. A sala enche-se de gritos e saltos: o primeiro ato reflete "O auge" ("The peak") de 5 Seconds of Summer. A abrir com o single do novo álbum, 'NOT OK' confirmam que continuam a ser a 'No. 1 Obsession' ("obsessão número 1", numa tradução livre) da plateia, que nunca os deixa sem coro para 'Teeth'.

O vídeo volta a ocupar o ecrã. Um conjunto de imagens recorda o percurso da banda até ao presente, uma forma de mostrar como se tornaram "a maior boy band de todos os tempos". O segundo ato antecipa "A queda" ("The Fall") da banda. É com 'Easier' que voltam a palco, mas dão mais ('More') para mostrar que ainda sentem o mesmo ('istillfeelthesame') por estar ali sem vergonhas ('No shame'). Os fãs não os largam e cada música é cantada em uníssono. 

Numa primeira abordagem direta à plateia, os 5 Seconds of Summer garantem que não podia haver melhor sítio para terminar a digressão, numa tentativa de falar português os músicos dão as boas noites a Lisboa. Lembram que já tinham estado pela cidade: em 2015 passaram pela Meo Arena com a "Rock Out With Your Socks Out" e em 2023 levaram "The 5 Seconds of Summer Show" ao Campo Pequeno. Agora, a banda australiana garante que é "um concerto mais profissional". Com um PowerPoint, explicam como "ser uma estrela em Portugal" através da combinação de memórias como "Pizza Michael" com a demonstração do valor que atribuem à cultura local. Fizeram um takeover de Lisboa: observaram pássaros na Praça do Comércio, caminharam pelas ruas de Alfama, comeram no Mercado da Ribeira, hidrataram-se com 20 ginjinhas e ficaram tristes por ser a última paragem europeia, relembrando os fãs do seu "poder de ser uma estrela" ("star power"). Com a certeza de que levam um pouco de Portugal com estes objetivos cumpridos, voltam rapidamente à música com 'She's Kinda Hot'.

O concerto transforma-se numa premiação para atribuir o galardão de "Melhor boy band". Numa competição cerrada entre os australianos e a plateia, a banda sobe ao palco para receber o prémio pelas mãos de uma fã que tinha sido selecionada como a apresentadora da noite. No palco, passa o troféu. Antes que se oiça 'Boyband', tem ainda direito a abraçar os quatro músicos. Ashton transporta-se com a bateria para um prolongamento do palco mais perto da plateia, acompanhado por Luke, Michael e Calum para 'Telephone Busy' e 'Evolve'.

Há uma história por contar, por isso a música dá espaço a "uma reportagem", que mostra os membros da banda agredidos e a submergir simbolicamente no estrelato. Se são "maus presságios" ('Bad Omens') não chegaram aos fãs que acompanham a música com saltos. O ritmo diminui para 'Ghost of you' e 'I'm scared I'll never sleep again'.

É hora de abordar o elefante da sala: o quarto ato explica os indícios de que seria "O término" ("The Breakup") da banda. Com humor, a banda toma conhecimento de que estariam a acabar através de uma notícia na televisão. É tempo de ouvir os principais culpados: os lançamentos a solo dos integrantes. Com excertos da música cada um tem direito a brilhar em foco no palco: Luke canta 'Starting line', escondem-se atrás da bateria para 'Have u found what ur looking for' de Ashton, Calum leva 'Don't forget you love me' e Michael termina com 'enough'.

Como se fossem entrevistados, refletem "se foram longe demais". Para "A ascensão" ("The Rise"), o quinto ato, recordam as origens e o percurso que traçaram pelos palcos por todo o mundo. Não haveria forma melhor de relembrar do que com 'Amnesia', o primeiro grande sucesso da banda. A segunda música deste momento esteve nas mãos do público: através de um link, podiam votar entre quatro opções: 'Start over', 'Sick of myself', 'The rocks' e 'Don't stop'. Um fã aparece com uma mala de metal no ecrã com o resultado da votação no interior: a secret song ("música secreta") da noite é 'Don't stop'.

Identificado o problema, a solução é simples: recordar de onde vieram e procurar a fórmula para voltar. No sexto ato, a banda navega até "O início" ("The beginning"). Revisitam o processo de criar canções, enquanto reaprendem a encontrar-se em acordes antigos. Revivem o estilo da década passada com a bandana de Ashton e o "punk 101" com Calum a treinar saltos com uma vassoura, como se de uma guitarra se tratasse. É com as músicas 'English love affair', 'Voodoo Doll', 'Waste the night', 'Jet black heart' e 'She looks so perfect' que voltam no tempo. 

Depois dos clássicos, a luz da sala apaga-se. São os aplausos e os gritos dos fãs que os trazem de volta. Para terminar o "documentário" explicam como estar em palco é o mais importante. É dada a garantia que 5 Seconds of Summer estão longe do fim e para quem estava na sala de espetáculos não há espaço para dúvidas: "era suposto ser o fim", mas este "é só o começo". Pelo meio da plateia voltam para um encore, mas não vêm sozinhos: trazem o trio Master Peace e o quarteto South Arcade que foram responsáveis pela abertura da digressão europeia. Luke faz as despedidas, garante que adoram passar por Portugal, mas como a data do próximo concerto é incerta pede que toda a sala o acompanhe em 'Youngblood' e a plateia não fica indiferente ao pedido.