Teatro S. Carlos continua itinerância em 2025

Obras de intervenção do edifício mantêm-se até, pelo menos, 2026, mas a programação é preservada.

Os concertos na temática "Consonâncias" têm em conta os espaços onde se apresentam e são constituídos por três peças, com a participação de um solista da Orquestra Sinfónica Portuguesa (OSP) e um cantor que "interpretará, certamente árias de ópera do século XVIII".

Sobre o eixo "Compositoras", João Paulo Santos referiu “o imenso repertório de qualidade extrema de compositoras”, que “começaram a escassear nas salas de concerto nos anos 1930 e foram banidas durante a Segunda Grande Guerra” (1939-1945).

“Não é uma questão de género, mas porque é muito bom”, justificou o maestro que referiu o seu interesse nesta matéria, e qualificou como “surpreendente” o concerto "Sob o Signo de Euterpe”, pela OSP dirigida pela maestrina Rita Castelo Branco, sendo solista a violoncelista Isabel Vaz, no próximo dia 24 de abril, no Teatro Aberto, em Lisboa. O programa é constituído por peças de Fanny Mendelssohn, Henriëtte Bosmans, Augusta Holmès, Lili Boulanger, Vitezslava Kaprálová e Florence Price.

O Teatro Aberto não será a única sala lisboeta onde o S. Carlos apresentará as suas produções sinfónicas. Outros espaços são a Igreja de S. Roque, a Academia das Ciências de Lisboa, o edifício onde funcionou o Tribunal da Boa-Hora, que vai acolher, a partir de janeiro próximo, os serviços administrativos do Organismo de Produção Artística (Opart), que tutela o TNSC, a OSP e a Companhia Nacional de Bailado.

No edifício do antigo Tribunal, no Chiado, serão instaladas duas salas de trabalho para a OSP e uma 'box' no claustro, que será a sala de ensaio Vasco Dantas. A sala para o Coro do S. Carlos será a antiga sala de audiências, explicou a presidente do Opart, Conceição Amaral.

O edifício do ex-Tribunal acolherá também alguns concertos e conferências.

A responsável referiu-se à descentralização do TNSC, como “estratégico”: “Um alargamento da missão de serviço público", em que se apresenta como "fundamental, trabalhar com os públicos e os profissionais espalhados pelo país, onde temos equipas extraordinárias”, sublinhou Conceição Amaral.

A responsável espera “frutos” desta descentralização. “Estamos a lavrar este chão e este tempo de produção, que é muito pequeno, estamos a trabalhar com os parceiros, e não podemos nunca achar que isto vai morrer. São sementes que estamos a lançar, não podemos lá deixar um ovo que se abre naquele dia, voltamos e vimo-nos embora, não pode ser”, afirmou.

“Vamos lá deixar uma semente”, declarou Conceição Amaral. O custo desta “digressão” teve um reforço orçamental anual de seiscentos mil euros, acrescentou.

O TNSC, que tem estado em itinerância desde setembro passado, já esteve em 16 palcos, disse aos jornalistas Conceição Amaral.

O teatro, em Lisboa, deverá reabrir em finais de 2026 ou inícios de 2027, adiantou a responsável.

Questionada pela agência Lusa sobre quando será aberto concurso para o novo diretor artístico do TNSC, depois da saída em julho último de Ivan van Kalmthout, Conceição Amaral disse estarem a fechar a documentação para o lançar “ainda este ano”.