Kamala é "clara vencedora" em debate contra um Trump à "defensiva"

João Maria Jonet analisa o primeiro debate entre os dois candidatos à Casa Branca.

Kamala Harris foi a "clara vencedora" do primeiro debate com Donald Trump na corrida à presidência dos Estados Unidos. Para o analista político João Maria Jonet a ainda vice-presidente norte-americana teve uma comunicação mais eficaz e argumentos mais convincentes.

"Passou a ideia que Donald Trump falou muito mais, mas falou muito mais na defensiva. Kamala Harris conseguiu passar bem a ideia de que representa uma mudança geracional, um virar de página, não propriamente porque vai fazer muito diferente de Biden, mas porque é a oportunidade de virar a página da divisão que foram nove anos de campanha presidencial permanente de Trump", explica Jonet.

O analista político destaca ainda o desconforto do candidato republicano nos temas levados a debate: "Seja a tentativa de golpe de 6 de Janeiro, seja a questão do aborto e da posição dos republicanos muito mais extremada do que a maioria do povo americano... Até um tema em que Donald Trump pegou como bandeira (que não precisava) que foi a de tentar trazer um passado na saúde pública americana (de que ninguém gosta).... Ou o tema da Ucrânia, em que não conseguiu admitir que queria que ganhasse a guerra à Rússia. Em todos os temas, Trump esteve desconfortável e na defensiva".

João Maria Jonet - Análise ao debate entre Kamala Harris e Donald Trump

Quanto a prognósticos, João Maria Jonet considera que é tudo muito ainda muito dúbio. A vantagem parece estar do lado dos democratas, mas a sociedade norte-americana está muito dividido. “Eu diria que, com base nas eleições intercalares de 2022, nas últimas presidenciais, nas intercalares 2018 e até no que se tem passado entretanto - eleições especiais e outros momentos em que os norte-americanos têm sido chamados pontualmente a ir a votos - o Partido Democrata está estruturalmente mais forte. Seja porque é isso que tem posições mais populares em assuntos que dividem muita sociedade (aborto, armas, clima, Ucrânia…). Seja por que Donald Trump representa este caos que afasta muitos eleitores que antigamente eram solidamente republicanos", atira Jonet. "Portanto, eu diria que não, não vai ser uma eleição em que Kamala Harris vai ganhar por muito. Pode acontecer, mas é altamente improvável. É um país de tal forma dividido e estático, que é difícil que Donald Trump reverta os sete milhões de votos pelos quais perdeu com Joe Biden.”

A campanha de Kamala Harris já pediu um segundo debate com Donald Trump, mas o republicano não se compromete. João Maria Jonet não acredita que venha a acontecer. As eleições presidenciais estão marcadas para 5 de novembro.