"A Sombra do Vento" celebra 25 anos com edição especial e quer conquistar novos leitores

Um quarto de século depois, "A Sombra do Vento" de Carlos Ruiz Zafón reafirma-se como mais do que um sucesso editorial. É uma obra que continua a renovar-se em cada leitura e a provar que há livros destinados a nunca serem esquecidos.

Vinte e cinco anos depois da publicação de A Sombra do Vento, o romance maior de Carlos Ruiz Zafón continua a afirmar-se como um fenómeno literário raro. É um clássico contemporâneo capaz de atravessar gerações e permanecer vivo no imaginário dos leitores. Para assinalar a efeméride, o Grupo Planeta lançou uma edição comemorativa especial, com nova capa e páginas pintadas, pensada não apenas como homenagem, mas também como convite à descoberta por novos públicos.

Para Sofia Monteiro, responsável editorial, o segredo da permanência do romance reside na sua natureza intemporal. “É um clássico e, como todos os clássicos, é intemporal. Continua a emocionar porque é um livro absolutamente apaixonante”, sublinha. Mais do que celebrar o passado, a nova edição procura renovar o encontro entre a obra e leitores mais jovens, muitos dos quais não viveram o impacto do fenómeno editorial original.

A aposta passa por apresentar A Sombra do Vento como uma descoberta nova, mesmo 25 anos depois. E Sofia Monteiro acredita que a obra tem todos os elementos para seduzir uma geração habituada a outros ritmos de leitura. Mistério, intriga, romance, segredos e um ambiente gótico são ingredientes que mantêm o romance profundamente atual. “O convite é entrar no Cemitério dos Livros Esquecidos. A partir daí, é impossível não se apaixonarem pela história”, afirma.

Num tempo dominado pelo digital e pela rapidez, a metáfora do Cemitério dos Livros Esquecidos continua a fascinar precisamente por representar o contrário: o tempo lento da descoberta, da memória e da leitura como experiência transformadora. Sofia Monteiro recorda que o próprio romance é uma declaração de amor aos livros e aos leitores. “É um livro sobre o que acontece quando encontramos um livro que nos muda”, resume.

A edição comemorativa surge, por isso, como mais do que um objeto de coleção. A editora recusa a ideia de um livro pensado para ficar intocado na estante. “Queremos um livro lido, mexido, com sinais de uso”, diz. Inserida nas comemorações do chamado “Ano da Sombra”, assinalado em vários países onde o Grupo Planeta está presente, esta edição pretende colocar novamente a obra em circulação quotidiana (no comboio, em casa, na praia, nos transportes públicos) e devolvê-la ao lugar onde sempre pertenceu: nas mãos dos leitores.

A universalidade da escrita de Zafón ajuda a explicar por que razão o autor, frequentemente apontado como o escritor espanhol mais lido depois de Miguel de Cervantes, continua a conquistar públicos em todo o mundo. Sofia Monteiro destaca uma escrita “empática e apaixonante”, mas também a força dos temas que percorrem o romance: amizade, laços familiares, memória, perda e amor pelos livros.

É essa combinação entre narrativa envolvente e valores universais que faz com que personagens como Daniel Sempere ou Julián Carax resistam ao tempo e permaneçam vivos na memória dos leitores. “Falamos do Daniel como se fosse um amigo, porque foi e continua a ser”, observa.

Para Sofia Monteiro, o verdadeiro teste da intemporalidade está justamente aí: na capacidade de a obra continuar a tocar leitores de diferentes idades. A prova, diz, está em casa. Levou recentemente o romance ao filho de 21 anos, que o lê pela primeira vez. “Qualquer pessoa que pegue neste livro é impossível não ficar apaixonada.”

Um quarto de século depois, A Sombra do Vento reafirma-se assim como mais do que um sucesso editorial. É uma obra que continua a renovar-se em cada leitura e a provar que há livros destinados a nunca serem esquecidos.

Sofia Monteiro sobre A Sombra do Vento de Carlso Ruiz Zafón