A1 ligou Lisboa ao Porto há 35 anos

Há 35 anos, a conclusão da A1 entre Torres Novas e Condeixa-a-Nova completou a ligação Lisboa-Porto e mudou para sempre a mobilidade no país.

Resumo IA

• A conclusão da Autoestrada 1 (A1) ocorreu a 13 de setembro de 1991, ligando Lisboa ao Porto.

• O tráfego diário na A1 duplicou em 35 anos, atingindo 42.885 veículos em 2025.

• A Brisa planeia celebrar os 35 anos da A1 com eventos que destacam a sua importância rodoviária.

Resumo feito por IA e revisto pela redação da Rádio Comercial

A conclusão da Autoestrada 1 (A1) há 35 anos permitiu “encurtar o país” e revolucionar a mobilidade em Portugal, recordou à agência Lusa um dos engenheiros da obra que ligou diretamente Lisboa ao Porto.

A A1 ficou concluída em 13 de setembro de 1991, com a abertura do troço entre Torres Novas e Condeixa-a-Nova, completando a ligação contínua entre Lisboa e o Porto, 30 anos após a abertura do primeiro troço, entre a capital e Vila Franca de Xira.

A A1 “encurtou” Portugal e aproximou cidades

Em declarações à Lusa, Joaquim Mendes, um dos engenheiros da Brisa responsáveis na altura pela obra, recordou a importância da empreitada para a mobilidade no país.

“Antes das autoestradas a gente demorava um dia praticamente para chegar lá [ao Norte]. Saía de manhã para lá chegar ao fim do dia ou mesmo de véspera. Depois, o país encurtou. Deixou de ter 800 quilómetros de comprimento e passou a ter 300 ou 400”, observou.

Hoje com 83 anos e reformado há cerca de duas décadas, Joaquim Mendes sublinhou que, além de Lisboa e Porto, a conclusão da A1 permitiu aproximar e dinamizar cidades como Santarém, Leiria, Coimbra e Aveiro, “contribuindo para uma nova realidade nas deslocações de pessoas e mercadorias”.

Último troço exigiu preparação técnica detalhada

Sobre a construção deste último troço da A1, entre Torres Novas (distrito de Santarém) e Condeixa-a-Nova (distrito de Coimbra), o engenheiro ressalvou que a concretização “exigiu uma preparação técnica detalhada”, devido às diferentes características dos terrenos atravessados.

“Havia zonas de serra com rocha, solos mais estáveis e áreas com argilas que não podiam ser utilizadas na construção por serem sensíveis à água”, descreveu.

A empreitada obrigou a “responder a situações imprevistas”, incluindo a descoberta de minas e grutas na zona de Fátima (concelho de Ourém) e a criação de passagens ecológicas na serra de Aire e Candeeiros.

“Há sempre alguns imprevistos, algumas situações que nos escapam, quando fazemos as campanhas de sondagens, mas não houve propriamente surpresas de fundo”, ressalvou o especialista.

Obra teve impacto nas populações locais

Houve também um grande impacto social e económico junto das populações locais durante as intervenções: “Há milhares de trabalhadores, a ter que almoçar, jantar e dormir, e, portanto, há uma ligação dessas pessoas com a sociedade civil.”

Esta obra teve também alguns “episódios caricatos”, como a de uma senhora que se chegou a deitar à frente das máquinas para tentar impedir o avanço dos trabalhos.

“Foi uma coisa muito fácil de resolver. Foi dizer à senhora: tenha paciência, mas a gente tem que avançar”, relatou Joaquim Mendes, ressalvando que na generalidade existia um bom entendimento entre a população e os trabalhadores da empreitada.

Questionado sobre o dia que assinalou a conclusão dos trabalhos, o engenheiro ressalvou que ficou assinalado com uma cerimónia, “sobretudo política”, e um almoço com os trabalhadores da empresa.

Conclusão marcou uma nova fase para a Brisa

A conclusão deste último troço da A1 teve também um “significado particular” para a própria Brisa, que passou de uma fase de reduzida atividade para um período de forte expansão da rede rodoviária.

“Foi o virar de página, de uma fase de crise para uma fase de grande projeção a nível nacional”, apontou Joaquim Mendes, lembrando que a empresa passou de cerca de 200 quilómetros de autoestrada para uma rede que, poucos anos depois, já rondava os mil quilómetros.

Guarda poucas recordações materiais da obra, uma vez que um incêndio num estaleiro onde trabalhou destruiu documentos, fotografias e outros objetos que conservava.

Numa nota, a Brisa refere que, 35 anos depois da conclusão da A1, esta autoestrada se mantém como um dos principais eixos rodoviários nacionais, com cerca de 300 quilómetros entre Lisboa e Porto e um tráfego médio diário que em 2025 atingiu 42.885 veículos.

“Em três décadas e meia, o tráfego médio diário anual da A1 mais do que duplicou, sendo hoje 2,6 vezes superior ao registado em 1991, ano em que ficou concluída a ligação contínua entre Lisboa e o Porto”, destaca a empresa.