Acampada de Lisboa quer “greve geral ibérica”

Os manifestantes querem articular ações com o movimento do Porto.

Os participantes na acampada pela habitação em Lisboa aprovaram hoje, em assembleia popular, apelar para a convocação de uma greve geral ibérica, em 11 de novembro, como admitida no Porto, e articular ações com o movimento da Invicta.

A assembleia popular, marcada para o final da tarde de hoje, na praça Dom Pedro IV, no Rossio, e após umas dezenas de intervenções, aprovou quase duas dezenas de propostas, entre as quais apelar às centrais sindicais para convocarem “uma greve geral ibérica”, em 11 de novembro, neste caso por unanimidade.

Os manifestantes, que já antes tinham aprovado uma proposta para que os sindicatos convoquem uma paralisação geral “em defesa da habitação” e “contra o custo de vida”, e entoando palavras de ordem “greve geral, greve geral, greve geral”, juntam-se assim aos participantes na acampada do Porto, que já tinham admitido estar a ser estudada uma greve geral ibérica, em 11 de novembro, que “pare a Península Ibérica por completo”.

Outra proposta aprovada, por unanimidade, defendeu “manter a acampada” no Rossio, e realizar assembleias populares “todos os dias” às 19:00, até que vejam satisfeitas as suas reivindicações, principalmente relacionadas com medidas em defesa da habitação.

A colocação de um cartaz na acampada com as exigências do movimento também foi aprovada, assim como a proposta de “retirada imediata da lei do arrendamento”, e a participação na manifestação de 27 de outubro, em frente à Assembleia da República para exigir ao Governo a retirada imediata daquela proposta de lei, objeto de um acordo entre o PSD e o Chega.

A limpeza dos ‘graffiti’ feitos por manifestantes no monumento do Rossio dividiu os participantes, mas que acabaram por chumbar a proposta, enquanto a defesa da “habitação popular através do reaproveitamento de imóveis devolutos” foi aprovada, assim como articular a contestação com a acampada do Porto.

“Trazer a periferia para a luta” também mereceu o apoio dos presentes, bem como “defender a acampada da intervenção policial”, ambas por unanimidade.

Uma proposta para exigir uma reunião ao presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), para se encontrar soluções para habitação ao nível local, acabou por ser adiada para a assembleia popular de segunda-feira, perante a elevada abstenção, e com os manifestantes apelaram em coro à “demissão, demissão, demissão”.

Outras propostas, como contra a obrigatoriedade do serviço militar dos jovens, apelo aos estudantes para se juntarem à acampada, criação de um grupo de trabalho para envolver pessoas “fora da bolha”, ou seja independentes de associações e partidos, e assembleias popular todos os anos após o Orçamento do Estado, também foram aprovadas.

Nas várias intervenções antes das votações, os manifestantes defenderam medidas para combater as rendas elevadas e os despejos, apelaram a mais habitação pública, mas também ao aumento de salários, e ainda ao fim de senhorios (“não é um trabalho”) e do “capitalismo”.

“Abaixo Montenegro, vai cair, vai cair” ou um mais clássico “O Povo Unido, Jamais será Vencido” foram alguns dos cânticos entoados pelos manifestantes, que não esqueceram outras lutas, como “abaixo o sionismo, viva a Palestina, a resistir, a resistir”.

Entre cânticos e palavras de ordem, alguns manifestantes preparavam-se para também manter a resistência em mais uma noite fria na Baixa de Lisboa.