Acampadas de regresso este domingo em Lisboa e no Porto

As manifestações pela defesa do direito à habitação regressam às praças de Lisboa e Porto após confrontos com a polícia.

Resumo IA

• As manifestações pelo direito à habitação voltam a Lisboa e Porto no domingo, após cargas policiais que feriram e detiveram manifestantes.

• A PSP registou sete feridos e 31 detidos em Lisboa, enquanto a Acampada do Porto denuncia 37 feridos, sete em estado grave.

• O protesto em Lisboa está agendado para hoje às 17:00 na Praça D. Pedro IV.

Resumo feito por IA e revisto pela redação da Rádio Comercial

As manifestações em defesa do direito à habitação vão voltar às praças de Lisboa e Porto em concentrações marcadas para domingo, horas após as cargas policiais sobre os manifestantes.

Na rede social Instagram, a Acampada de Lisboa convoca o protesto “Mais casas, menos bastão!” para hoje, às 17:00, na Praça D. Pedro IV, onde às primeiras horas do dia uma carga policial, à bastonada e com recurso a balas de borracha e cães, fez vários feridos e detenções.

“Junta-te a nós!”, apela a convocatória, garantindo que “a Acampada sobreviveu e resiste” e que a “violência policial bruta […] não será tolerada”.

Na mesma publicação, a Acampada de Lisboa denuncia a “violência estatal” comandada pelo Governo, “usada para intimidar, silenciar, desmobilizar o povo que quer lutar pelos seus direitos”.

A intervenção policial sobre os manifestantes que se concentravam nas praças de Lisboa e Porto esta madrugada “não é um excesso isolado, é a repressão de um Estado que protege a propriedade enquanto agride quem luta pelo direito à habitação”, denuncia, alertando que “o fascismo” se está a alastrar.

“A cada bastonada, mais organização, a cada ameaça, mais solidariedade. O medo não vencerá”, vinca a Acampada de Lisboa.

No Porto, Catarina dos Santos, porta-voz da Acampada, deixou esta madrugada, em declarações aos jornalistas após a intervenção policial, a garantia de que voltariam a concentrar-se, como habitualmente, às 19:00: "Ninguém arreda pé da praça até as reivindicações serem ouvidas.”

Numa publicação entretanto divulgada no Instagram, com fotografias e vídeos da carga policial sobre os manifestantes reunidos na Praça D. João I, a Acampada do Porto denuncia o que considera ser "o uso abusivo da força", que "não foi um erro de interpretação da lei, foi uma escolha consciente das forças de segurança".

Acompanhando o compromisso de Lisboa, afirma-se também no Porto: "Por cada bastonada, mais apoio mútuo e mais organização. Isto não acabou."

A Polícia de Segurança Pública (PSP) dispersou hoje de madrugada as manifestações pelo direito à habitação, à bastonada e com recurso a balas de borracha e cães, em duas ações em simultâneo em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para a dispersão e a retirada das tendas montadas pelos manifestantes, que não as acataram alegando que o direito à manifestação está protegido pela Constituição.

De acordo com a PSP, em Lisboa há a registar sete feridos e 31 detidos por desobediência, mas, em comunicado publicado nas redes sociais, a Acampada de Lisboa refere dezenas de feridos.

“Na madrugada de hoje, 25 de outubro, dezenas de manifestantes foram brutalmente agredidos pela policia de intervenção. Destes, mais de 20 foram para o Hospital de São José e muitos outros foram assistidos no local pela equipa de cuidados da Acampada”, lê-se na publicação da Acampada de Lisboa na rede social Instagram.

No Porto, e ainda de acordo com a PSP, a intervenção causou oito feridos, número que a Acampada sobe para 37, dos quais sete em estado grave.

A Acampada do Porto – que começou no dia 10 – foi alvo de uma primeira intervenção policial, que causou perto de 40 feridos, na madrugada de dia 15, depois de nesse dia se terem manifestado cerca de três mil pessoas na Praça D. João I.

Em Lisboa, a Acampada começou no dia 17, a seguir a uma manifestação convocada pela central sindical CGTP e que juntou milhares de pessoas.

Os manifestantes montaram tendas na Praça D. Pedro IV e foram alvo de uma primeira intervenção policial na terça-feira passada. Neste sábado, e depois de uma manifestação que juntou dezenas de milhares de pessoas na Avenida da Liberdade, voltaram a montar tendas.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.

A nova lei do arrendamento, aprovada na generalidade na Assembleia da República (com o voto a favor de PSD, IL e CDS-PP e a abstenção do Chega), introduz contratos mais flexíveis e despejos mais céleres.