Açores perdem 100 mil passageiros após saída da Ryanair
Seis meses após a saída da Ryanair, os Açores registam menos 103.766 passageiros e mais de 71 mil dormidas face ao mesmo período de 2025.
A companhia aérea de baixo custo Ryanair deixou de voar para os Açores há seis meses e, segundo os números já apurados, desde abril a região registou uma quebra de pelo menos 100 mil passageiros e 70 mil dormidas.
O fim da operação da Ryanair para os Açores foi anunciado para 29 de março, mas o último voo realizou-se no dia 28.
A companhia, que voava para os Açores desde 2015, justificou a decisão com as taxas aeroportuárias e a tributação ambiental europeia.
Açores perdem mais de 100 mil passageiros
Desde abril que as ligações aéreas entre o arquipélago e Portugal continental são asseguradas apenas pela TAP e pela Azores Airlines, do grupo SATA.
Segundo os dados mais recentes divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), entre abril e agosto, desembarcaram nos aeroportos da região 1.206.055 passageiros, menos 103.766 (7,9%) do que no mesmo período em 2025.
A redução do movimento nos aeroportos traduziu-se numa quebra no número de dormidas em alojamentos turísticos.
Os dados de agosto ainda não foram divulgados, mas, segundo os números provisórios de abril a junho e os números preliminares de julho, a redução foi superior a 70 mil dormidas.
Entre abril e julho, a hotelaria, o alojamento local e turismo no espaço rural contabilizaram 1.967.881 dormidas, menos 71.627 do que em igual período em 2025, o que representa uma quebra homóloga de cerca de 3,5%.
Apesar de neste verão os Açores terem assegurado ligações de 16 companhias aéreas, apenas duas voaram entre as ilhas e o resto do território nacional.
Quebra de dormidas supera 70 mil
Só no período entre abril e julho, os alojamentos turísticos da região registaram menos 62 mil dormidas de turistas residentes em Portugal do que em 2025.
Desde outubro de 2025 que o turismo na região dá sinais de abrandamento, com uma redução de dormidas face ao período homólogo.
A saída da companhia aérea de baixo custo, no final de março, acentuou as preocupações dos empresários.
Um estudo da EY-Parthenon, pedido pela Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), estimou que a saída da Ryanair se traduza numa perda anual “entre 339 mil e 391 mil dormidas", partindo de um cenário em que a companhia aérea transporta anualmente entre 102.886 e 118.561 turistas para os Açores.
Segundo o estudo, essa redução, num setor que representa cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) regional, poderá levar a uma diminuição entre 1,5 e 1,7% do PIB da região para 2026, equivalente a uma perda entre 90,1 milhões e 104,5 milhões de euros por ano.
Estudo estima impacto de até 104,5 milhões de euros
A companhia irlandesa, que ligava as ilhas de São Miguel e Terceira a Lisboa e Porto, já tinha anunciado em novembro de 2025 que pretendia abandonar as rotas para os Açores e confirmou-o em janeiro de 2026.
Apesar de o executivo açoriano ter dito, aquando da confirmação, que ainda estavam a decorrer conversações, o diretor-executivo da Ryanair, Michael O’Leary, rejeitou qualquer hipótese de recuo.
No final de fevereiro, a secretária regional do Turismo dos Açores disse que o executivo estava a trabalhar com a TAP e a SATA para colmatar a saída da Ryanair.
Berta Cabral revelou ainda que o Governo estava a fazer “diligências” para trazer outras companhias para a região a “médio prazo”, mas ressalvou que “só a partir do verão de 2027” poderia, eventualmente, existir uma nova companhia a voar entre a região e o continente.
Na sequência da saída da Ryanair, a Associação de Alojamento Local dos Açores, a Câmara de Comércio e Indústria, a Federação Agrícola e a Associação da Hotelaria de Portugal emitiram um comunicado conjunto a reivindicar a criação de um Fundo de Desenvolvimento de Rotas e um reforço imediato do orçamento de promoção turística para 20 milhões de euros.
A criação do Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas foi aprovada, em maio, pelo parlamento açoriano.
Em agosto, em reação a críticas do PS, que exigiu a “rápida implementação” do fundo, a titular da pasta do Turismo nos Açores disse que o executivo estava "a trabalhar de forma séria, competente e fundamentada para construir um instrumento eficaz, juridicamente robusto e plenamente compatível com o enquadramento legal europeu".
