Águas do Alto Alentejo com projeto pioneiro de créditos hídricos por eficiência

A empresa é a "a primeira entidade gestora de sistemas de abastecimento de água em Portugal a desenvolver e operacionalizar o conceito de Benefícios Volumétricos da Água".

A Águas do Alto Alentejo (AAA) vai implementar um projeto pioneiro em Portugal de transformar os ganhos por redução de perdas de água na rede em créditos hídricos, que empresas poderão comprar para reduzirem ‘pegada’ hídrica.

“Vamos ser a primeira entidade gestora [de água] em Portugal em que a poupança proveniente da redução da água não faturada poderá ser convertida em créditos hídricos”, destacou hoje à agência Lusa o diretor-geral da AAA, Rui Choças.

O que “vai permitir colocar o Alto Alentejo no mundo e a empresa a inovar”, disse, realçando que o projeto é ainda mais importante num território como o distrito de Portalegre, em que “a água é um bem escasso”.

Rui Choças explicou que, em Portugal, já existe uma outra empresa na região Norte que “tem créditos hídricos através da água residual”, mas a particularidade do projeto da AAA é conseguir esses mesmos créditos graças à eficiência hídrica.

“No nosso caso, somos pioneiros porque, devido à nossa redução de água não faturada, através da diminuição das perdas e da extração do bem comum que é a água, temos mais eficiência. Assim, essa poupança pode ser aproveitada para créditos hídricos na bacia do Alto Alentejo”, explicou.

E, continuou, uma empresa por exemplo situada na região que tenha de extrair água, que tenha furos próprios, “pode depois comprar estes créditos para fazer essa compensação ambiental, ou seja, para ter a ‘pegada hídrica igual a zero”.

“Como há outra empresa que está a poupar água, neste caso a AAA, gerando os tais créditos, essas empresas podem fazer essa compra e tornar nula a sua pegada hídrica”, vincou Rui Choças.

O anúncio do avanço deste projeto foi feito hoje pelo diretor-geral da AAA na conferência anual da empresa realizada em Sousel, no distrito de Portalegre, sob o tema "Eficiência Hídrica e Economia Circular: Caminhos para o Futuro".

Em comunicado, a Águas do Ato Alentejo anunciou que vai ser “a primeira entidade gestora de sistemas de abastecimento de água em Portugal a desenvolver e operacionalizar o conceito de Benefícios Volumétricos da Água e a futura geração de créditos hídricos por eficiência hídrica”.

Esta é “uma iniciativa inovadora que pretende transformar os ganhos por redução de perdas de água em valor ambiental mensurável e em novas oportunidades de financiamento sustentável”, pode ler-se.

Através da plataforma internacional AQUA+ e da aplicação de metodologias internacionais de referência, a empresa pretende quantificar cientificamente a água preservada através da redução da água não faturada, criando as condições para a futura geração de créditos hídricos.

“O objetivo passa por reconhecer o valor ambiental da eficiência operacional e posicionar o Alto Alentejo como território de referência na inovação aplicada à gestão sustentável dos recursos hídricos”, frisou a empresa.

Citado no comunicado, Rui Choças salientou que, desta forma, “a eficiência hídrica deixa de representar apenas uma poupança operacional para passar também a constituir um ativo ambiental, capaz de gerar valor para o território e contribuir para novos modelos de responsabilidade corporativa e financiamento verde”.

À Lusa, o responsável adiantou que a AAA “já lançou o pedido de aprovação do projeto na plataforma AQUA+ e, em breve, irá receber a aprovação”.

“Estamos a poupar água, a ter até uma redução muito drástica, e ao mesmo tempo conseguiremos compensar a ‘pegada’ hídrica com empresas que podem estar no território”, congratulou-se.

Na conferência, Rogério Alves, presidente da administração da AAA – criada por 10 dos 15 municípios do distrito de Portalegre – revelou que a redução da água não faturada já se cifra em 18% desde 2022”.

O que evitou “a aquisição de mais de 400 mil metros cúbicos de água tratada (o equivalente a 80 milhões de garrafões de cinco litros), graças ao reforço da deteção de fugas, ao combate às utilizações ilícitas e ao investimento contínuo na renovação da rede”, indicou a empresa.