Ainda há casas com os "telhados por construir" em Monte Real e "faltam apoios"
Monte Real, em Leiria, terá registado a rajada mais forte da tempestade Kristin (perto dos 180 km/h) no final de janeiro.
Mais de dois meses depois, ainda há muito por recuperar nas regiões afetadas pelas tempestades. É o caso de Monte Real e Carvide, no concelho de Leiria, onde o autarca da freguesia se queixa da lentidão dos apoios à recontrução das casas.
"Os apoios, através da CCDR, tardam.Tardam pela análise e tarda o dinheiro também a chegar às pessoas. Alguma da reconstrução já foi feita, mas muito à pala das ajudas que nós fomos dando com alguns materiais de construção e as pessoas foram pagando pequenas reparações que tinham. Agora, os casos mais graves ainda estão por resolver, naturalmente. Nós aqui na freguesia temos alguns. Estamos a trabalhar com algumas das entidades, no sentido de resolver os casos mais graves, com algumas empresas até a nível nacional, têm estado a dar alguma ajuda nessa matéria, mas é um trabalho que vai ser demorado e que ainda se vai prolongar por muitos meses, para não dizer por alguns anos", diz Rui Pereira, presidente da Junta de Monte Real Carvide.
O autarca admite que "há algumas pessoas ainda com os telhados por construir", lamentando a falta de apoios e mão de obra, "porque quando há dinheiro e quando há apoios, depois não há mão de obra para executar os trabalhos."
Outro problema está na floresta, que ficou quase toda destruída em Monte Real: "eu diria que 90 por cento da nossa floresta ficou destruída. E neste momento, também falta mão de obra para fazer a remoção deste material das propriedades. A mão de obra que existe está a tentar ajudar, mas é imenso o trabalho que há pela frente para fazer. Quando temos madeireiros disponíveis, em grande parte dos casos, não temos caminhos desobstruídos. (...) Há até proprietários que querem fazer a limpeza dos seus pinhais e das suas propriedades, mas não têm forma de passar para lá chegar."
E a dificuldade nas limpezas dos terrenos pode agravar os incêndios no próximo verão, "porque com todo o material que está ao nível do solo, em caso de incêndio, as proporções vão ser muito maiores e isto também é preocupante."
Complicado continua também o trabalho ao nível das telecomunicações, da rede fixa e da internet. O autarca de Monte Real e Carvide diz que ainda há "inúmeras pessoas sem telecomunicações e sem internet e não se vê solução à vista".
Na semana em que o Presidente da República faz uma Presidência Aberta nas regiões afetadas pelas tempestades, Rui Pereira deixa um apelo a António José Seguro: "acima de tudo que traga alguma atenção para esta região, (...) que venha contribuir para haver um maior dinamismo, uma maior rapidez para a vinda dos apoios e para que esses apoios possam ajudar concretamente as famílias, as pessoas, porque efetivamente as pessoas carecem ainda de ajuda e essa ajuda tarda, tarda a chegar."
Monte Real, em Leiria, terá registado a rajada mais forte da tempestade Kristin (perto dos 180 km/h) na madrugada de dia 28 de janeiro, causando um cenário de destruição.
