Álbum de estreia dos Strokes tem a idade a que soa: 20 anos

"Is This It" reacendeu a chama do rock e foi um dos picos de um novo movimento.

"Is This It" soa à idade que tem hoje: 20 anos. Jovem, refrescante, mesmo borbulhante, vivinho da silva, sonhador, carregado de esperança luminosa. A 30 de julho de 2001, os Strokes lançavam o álbum de estreia “Is This It” e estavam a iniciar uma revolução, na dianteira de uma nova vaga de bandas que fizeram renascer o rock & roll.

Estava ali, em "Is This It", um punhado de canções sumarentas e simples, curtas e eficazes, com um bichinho eléctrico vivo e contagiante.

Graças a este disco, o rock & roll voltou a ser cool, com um conjunto de canções fortes e simples. Por causa dos Strokes, voltou a ouvir-se um jogo contagioso entre duas guitarras elétricas como há muito não acontecia. Numa mistela sonora de várias bandas nova-iorquinas do passado, dos Television aos Cars, os Strokes apareciam como um grupo sobredotado, com um forte sentido rítmico e um jeito para melodias gloriosas.

 

A banda formou-se em Nova Iorque, na ilha de Manhattan, em 1998. Começaram como quarteto, com Julian Casablancas nas vozes e letras, o amigo de infância Nikolai Fraiture no baixo, e os colegas de escola Nick Valensi na guitarra eléctrica e Fabrizio Moretti na bateria. Juntou-se-lhes o único membro oriundo da Califórnia, o guitarrista Albert Hammond Jr, filho do músico Albert Hammond.
 
A partir daqui, estava formado o quinteto que apaixonaria o mundo. Mal lançaram pela Rough Trade o EP “Modern Age”, foram disputados por várias majors. A RCA ganhou o "leilão" e lançou o desejado álbum de estreia dos Strokes, “Is This It”, em 2001.
 
Nesse ano, ainda antes do primeiro álbum sair, havia já a sensação no ar de que os Strokes iriam ser grandes. Tinham com eles ótimas canções, carisma e estilo.
 
Mal tinham lançado o álbum de estreia “Is This It” e já eram cabeças-de-cartaz de festivais como o T in The Park. E apareceram nos talk-shows de Conan O’Brien ou David Letterman. Em 2001, o mundo já era deles. 

 

O segundo álbum dos Strokes, “Room on Fire” (de 2003), é a perfeita sequela de “Is This It” e a repetição de uma inocência prestes a evaporar. O álbum seguinte, de 2006, o mais complexo “First Impressions of Earth”, é a última obra onde se sente a orgânica de banda.  

Já nada seria como dantes. A década passada foi algo estranha para a banda, com os cinco membros em caminhos descruzados. Foram raras as vezes em que os cinco membros estiveram no mesmo estúdio ou no mesmo palco. Os álbuns “Angles” (de 2011) e “Comedown Machine” (de 2013) são o reflexo de um grupo fraturado por problemas existenciais, e até de drogas no caso do guitarrista Albert Hammond Jr. Os Strokes tornaram-se numa espécie de plataforma difusa, onde Julian Casablancas desenvolvia as suas ideias eletrónicas. As máquinas apagaram a fervilhante secção rítmica e abrandaram a melhor sociedade de guitarras que o rock & roll conheceu neste milénio. “Is This It” é um daqueles discos que deixa saudades e a que se volta sempre, em nomes dos bons tempos.

 

Os Strokes atuam na próxima edição do NOS Alive, a 6 de julho de 2022, no Palco NOS.