Alcácer do Sal amanhece "com algum alento": a água está a baixar, mas começa a ver-se um desafio
A presidente da câmara Clarisse Campos confessa que nunca viu nada parecido no município e avisa desde já que vai ser precisa muita ajuda - mas também apoios diferentes do anunciado - para reconstruir.
Um dia e uma noite depois do rio Sado ter entrado por Alcácer do Sal dentro, o cenário na cidade começa a dar "algum alento" à presidente da câmara municipal, Clarisse Campos, mas já começa a surgir uma preocupação sobre o pós-inundação.
Natural da cidade, a autarca que não se recorda de tamanha cheia e destruição, explicou em direto nas Manhãs da Comercial que um dos primeiros objetivos desta sexta-feira é "entrar em contacto com algumas pessoas que ainda permanecem nas suas casas nesta zona, no primeiro andar, e insistir para que saiam, porque estão há várias horas com água no rés-do-chão". São munícipes que "estão há várias horas sem eletricidade, num desconforto grande" e que, por isso, causam preocupação.
"Temos espaço para as colocar e, portanto, esta ligeira descida da água permite que, de uma forma mais segura, possamos deslocar-nos a esses locais e insistir para que retirem, para ficarem em segurança e conforto" desde já, até porque está previsto para este sábado "um nível de perigosidade que também preocupa".
Em 62 anos anos de vida "nunca" viu nada semelhante no concelho que "há muito tempo" não tinha inundações. "A última cheia de que me recordo não era nada, nada parecida com isto. Nada. Segundo aquilo que me dizem, mesmo uma que ocorreu nos anos 1960. [Esta] Superou todos esses números, superou em termos da altura, tudo", lamenta.
Clarisse Campos confessa que lhe faltam as palavras para descrever o cenário "brutal" que se vê no concelho, "uma coisa completamente inimaginável" que diz ser incapaz de descrever.
"Hoje quando cheguei vi como a água estava a descer, apesar das dificuldades, e é de facto um certo alívio", explica a autarca que sublinha que "durante dois dias não notou praticamente nada" e, por isso, chegou a recear que o cenário "fosse continuar".
Com o município a tentar agora recuperar, tem chegado "muita, muita ajuda de todo o lado", incluindo alimentos, mas começa a surgir outra preocupação para Clarisse Campos que a leva a deixar um apelo.
"Nós vamos precisar muito, de muita gente e de muito apoio, quando for a fase de reabilitar, de reconstruir, porque vamos ficar com toda esta zona baixa da cidade muito destruída" e as necessidades vão multiplicar-se, seja para recuperar casas, seja para estabelecimentos, mas até "os próprios edifícios municipais estão bastante danificados".
"Quando chegarmos a essa fase de limpar, de reerguer, nós vamos precisar muito, muito da ajuda de muitas empresas, do Estado, que tem de olhar para nós aqui, até do Governo. Vamos ter de ter aqui um tipo de apoios completamente diferentes daqueles que estão a ser desenvolvidos na minha perspetiva, porque tem que ser de uma outra forma, a forma como nós vamos reconstruir. Tem de ser um apoio muito, muito forte", avisa desde já.
