Altice Arena: dez momentos históricos da sala

O maior pavilhão de espetáculos do país, que tem agora um novo nome, foi inaugurado com a Expo'98, há 19 anos.

Já se chamou Pavilhão da Utopia, chegou a ser o Multiusos e foi durante muitos anos o Pavilhão Atlântico. Em 2013, a operadora de telecomunicações MEO assenhorou-se do nome daquela que é hoje a maior sala de espetáculos do país. Mas só por quatro anos. Agora, passa a ser Altice Arena.

Independentemente do nome, desde o fim da Expo 98 a sala passou a preencher uma antiga lacuna história de um pavilhão de espetáculos de grande dimensão. Terminava o fado da ausência da vinda de estrelas porque não havia um espaço capaz no país. Tínhamos dantes estádios de futebol e recintos para mais de 30 mil espetadores e tínhamos salas boas com capacidade para 3500 pessoas, mas não havia em Portugal o meio-termo, tão comum lá fora.

Desde 1998, o pavilhão da zona oriental de Lisboa assumiu o peso de albergar não só os grandes espetáculos de música - de nomes como Prince, R.E.M., Beyoncé, Rihanna ou Red Hot Chili Peppers, ou acontecimentos da música nacional como os regressos dos Trovante (em 1999) ou dos Silence 4 (em 2014) - como também grandes eventos desportivos internacionais, acontecimentos solidários, congressos partidários e até o Web Summit. No próximo ano, acolhe o Festival da Eurovisão.

Revivemos dez dos momentos históricos deste pavilhão que parece um grande navio invertido.


1998 - Expo 98
O grande pavilhão que faltava a Lisboa foi construído de propósito para a Exposição Mundial de 1998. A grande sala começou por se chamar Pavilhão da Utopia, onde albergou um espetáculo multimédia diário, "Oceanos e Utopias", com música de Nuno Rebelo (ex-Mler Ife Dada).

 

1998 - Bauhaus
Terminada a Expo'98, os Massive Attack inauguraram a nova vida do multiusos lisboeta a 10 de novembro. Quatro dias depois, foi a vez dos ressuscitados Bauhaus darem um concerto memorável frente a um manto humano negro de góticos bastante arrebatado. O motivo não era para menos: 'Kick in the Eye', 'She's in Parties' ou 'Bela Lugosi's Dead' estavam a ser tocados ao vivo pelos Bauhaus em carne e osso e não por um gira-discos ou por um leitor de CD lá de casa. O fecho é com a imprevista versão de 'Third Uncle' de Brian Eno, tocada pela única vez naquela digressão e a maior homenagem da banda inglesa àquele público tão acalorado. Convém referir que o autor deste vídeo é Miguel Afonso, figura omnipresente dos concertos nos anos 90 e detentor de um arquivo videográfico monumental (que era partilhado via correio). Muitos desses vídeos eram da sua autoria, captados das formas mais subtis. Falecido tragicamente menos de um ano depois deste vídeo, Miguel Afonso era nos anos 90 o YouTube em pessoa, muito antes do YouTube existir.


 
2000 - Masters Cup
Finalmente, tínhamos em Portugal os melhores tenistas do mundo a competirem oficialmente, Pete Sampras e André Agassi incluídos. Para nossa alegria e de muitos dos 12 mil espetadores presentes no Atlântico, o vencedor do Masters foi um lusófono, o brasileiro Gustavo Kuerten, poucas semanas mais tarde o nº1 mundial.

 

2004 - Madonna
A avalanche de concertos de estádio da primeira metade dos anos 90 trouxe até nós algumas das maiores estrelas da pop e do rock... Mas faltava Madonna. A existência do Atlântico ajudou a "matar este borrego", e logo com duas noites seguidas, a 13 e 14 de setembro. Foram cinco mudas de roupa, uma dose de êxitos ('Frozen', 'Material Girl', 'Like a Prayer' ou 'Papa Don't Preach') e as memórias, para muitos fãs portugueses, de que esta foi a melhor passagem da Rainha da Pop pelos palcos nacionais.

 

2004 - Xutos & Pontapés
25 anos de Xutos e da memória do rock nacional em duas horas e meia no Atlântico. Ou mais duas noites de glória da banda de Zé Pedro e de Tim. O grande pavilhão do Parque das Nações tornou-se um X gigante em outubro de 2004.


2005 - MTV European Music Awards
Pela primeira vez, e até agora única, acontece em Portugal a gala dos MTV EMAs, e logo com uma abertura de peso, 'Hung Up' de Madonna, uma performance que fez Robbie Williams desabafar naquela noite de que a Rainha da Pop “nos faz sentir amadores”. Mas Robbie Williams também mostrou a sua megalomania no palco do Atlântico e até praticou o crowdsurf. Os Green Day, premiados nas categorias de Melhor Álbum e Melhores Artistas Rock, foram um dos grandes vencedores da noite.


2010 - Final four do UEFA Futsal Cup
Fim da maldição de Guttman? Nem por isso. O Benfica torna-se campeão europeu mas noutra modalidade de pés, o futsal, num Atlântico em brasa, convertido em mini-estádio da Luz. Houve sofrimento até aos últimos segundos do prolongamento, na final contra os espanhóis Interviú. Ricardinho ainda fazia dribles milagrosos ao serviço das águias mas o grande herói benfiquista foi Joel Queirós, o melhor marcador do torneio. É ainda o único título de campeão europeu de futsal conquistado por um clube português.

 

2014 - Europeu de Ténis de Mesa
Parece impossível mas Portugal torna-se mesmo campeão europeu de ténis de mesa no que já se chamava de MEO Arena. O madeirense Marcos Freitas derrota o grande mesa-tenista alemão Timo Boll por 3-1, numa vitória decisiva que vale um dos maiores feitos do desporto português.

 

2016 - Adele
Até 2016, Adele era a maior estrela pop que não tinha pisado palcos nacionais. Mas foi com aparato que fez o batismo em Portugal, com duas noites no MEO Arena, numa das maiores corridas às bilheteiras de que há memória no mundo do espetáculo no nosso país. Frente a um público dos quatro cantos do mundo, a cantora mostrou um à-vontade que nos faz desconfiar da sua antiga fobia de palco.


2016 - Web Summit
A grande conferência internacional de tecnologia e empreendorismo passa a ocorrer em Lisboa, no melhor pavilhão para isso, o MEO Arena. É como Altice Arena que a grande sala lisboeta recebe este ano mais uma edição do Web Summit, de 6 a 9 de novembro.