Amnistia Internacional alerta para o "derramamento de sangue" no Irão

Dezenas de pessoas morreram, incluindo alguns menores, desde o início dos protestos no final de dezembro.

A Amnistia Internacional apela "a medidas diplomáticas urgentes para pressionar as autoridades iraniana" perante "o derramamento de sangue" nos protestos que se generalizaram no Irão.

As manifestações contra o aumento do custo de vida começaram no final de dezembro e já causaram dezenas de mortos, incluindo alguns menores, e centenas de feridos.

"Há protestos generalizados por todo o país. Temos nota da utilização por parte das forças de segurança de balas metálicas, além de armas não letais,  como balas de borracha e outro armamento. Temos nota também de espancamentos das forças de segurança a entrarem em hospitais para levarem pessoas que estão a receber tratamento médico, de agressões a familiares, a pessoal médico, desaparecimentos e execuções. É uma situação generalizada de grande repressão, de facto", diz André Julião, porta-voz da Aministia Internacional Portugal.

Entre os detidos "há relatos de tortura, maus tratos, sem acesso às famílias, sem acesso a advogados, sem acesso à assistência médica e as autoridades iranianas têm de libertar imediatamente estas pessoas, porque são manifestantes, na sua maioria pacíficos".

Perante as "reações tímidas" da comunida internacional, a AI apela "às autoridades judiciais de outros países que iniciem investigações criminais ao abrigo do princípio da jurisdição universal, com vista a emitir mandados de detenção para os suspeitos de responsabilidade destas agressões. Os Estados membros da ONU, os órgãos regionais, como a União Europeia, devem também emitir condenações públicas, tomar medidas diplomáticas urgentes para pressionar as autoridades iranianas a parar com este derramamento de sangue."

O governo português já manifestou "preocupação" com "a evolução da situação no Irão" e expressou "solidariedade ao povo iraniano."

Numa publicação nas redes sociais, o Ministério dos Negócios Estrangeiros condenou "o uso da força contra os manifestantes" e apelou "ao respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais."