Ana Moura reinou nos Prémios da Música Portuguesa, Sérgio Godinho recebeu o Prémio Carreira
Três estatuetas para Ana Moura e a Melhor Canção foi para as mãos de Ivandro. Sérgio Godinho recebeu o Prémio Carreira pelas mãos do Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva.
Esta noite, 27 de abril, teve lugar a 5.ª edição dos PLAY - Prémios da Música Portuguesa. Como é habitual, a cerimónia, que reconhece o melhor do que se fez na música portuguesa em 2022, foi acolhida no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e transmitida em direto pela RTP. A apresentação da gala ficou nas mãos da Filomena Cautela, Ana Markl e Joana Gama.
Sérgio Godinho foi homenageado com o Prémio Carreira - a estatueta que enaltece a grandiosa carreira de um artista ou grupo. Com mais de cinquenta anos de estrada criativa, o músico, compositor, cantor e escritor subiu ao palco debaixo de um imenso aplauso e com todos os que estavam na sala lisboeta de pé.
Antes disso, Jorge Palma, Manuela Azevedo e Diogo Piçarra - juntamente com os Assessores (banda que acompanha Sérgio Godinho) - cantaram quatro canções imortais que o homenageado da noite deu à cultura do país: 'A Noite Passada', 'Primeiro Dia', 'Espetáculo' e 'Liberdade'.
"É uma emoção múltipla receber este prémio, porque estou muito bem acompanhado por estes companheiros com quem já partilhei tantos palcos", começou por dizer Sérgio Godinho, referindo-se aos músicos que momentos antes cantaram as suas canções.
"Quero sublinhar a pujança e a diversidade da música portuguesa. Somos um país que não se pode queixar da falta de música. A música corre em nós. A cultura também se faz da música", acrescentou, voltando a enaltecer a "pujança e criatividade permanente em vários géneros". "Viva a música e continuemos a lutar por ela", rematou o artista histórico que recebeu a distinção pelas mãos do Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva.
Na ocasião, Filomena Cautela aproveitou para pedir ao ministro a subida da quota de música portuguesa nas rádios para 30 por cento - o valor implementado durante a pandemia - sendo que em 2022 a quota desceu para os 25 por cento.
Inês Valadas (dos PLAY) e a cantora Mariza atribuíram o Prémio de Canção do Ano - a última estatueta a ser entregue - ao cantor Ivandro, que ganhou o galardão com a balada 'Lua', numa votação da responsabilidade do público. O rapper Bispo recebeu o prémio pelo amigo, que não esteve presente na gala por razões profissionais. Ainda assim, o galardoado agradeceu, através de um vídeo, e prometeu mais canções para 2023.
Ana Moura foi a primeira galardoada da noite, com a estatueta de Melhor Artista Feminina, e recebeu o prémio pelas mãos de Catarina Furtado e de Rita Redshoes. As outras nomeadas na categoria eram MARO, Aldina Duarte e NENA. O prémio de Melhor Artista Masculino, entregue por Filipe Gomes e Camané, foi também para as mãos de Ivandro, o artista mais ouvido no Spotify em Portugal durante o ano passado. Na corrida estavam Carlão, Mário Laginha e T-Rex.
O Melhor Álbum do Ano - uma das estatuetas mais aguardadas da noite - foi dado ao vencedor de 2023 pelas mãos de Jorge Palma e Noua Wong. A distinção, que reconhece o melhor disco de 2022, foi para Ana Moura, com o aclamado "Casa Guilhermina", álbum editado em novembro, que também foi reconhecido com o Prémio da Crítica.
A cantora subiu ao palco com o companheiro criativo e de vida, Pedro Mafama, e com Pedro da Linha - os dois ajudaram à criação do álbum juntamente com Conan Osíris. Os restantes nomeados eram "A Estranha Beleza da Vida", de Rodrigo Leão, "A Minha História", de Sara Carreira, e "Club Makumba", dos Club Makumba.
Os The Black Mamba foram os escolhidos para apresentar o prémio de Melhor Grupo. Os manos Calema foram os vencedores. António Mendes Ferreira e Fradique Mendes Ferreira dedicaram a estatueta a todos os jovens que têm um sonho e querem realizá-lo, reforçando na mensagem que é possível. A dedicatória estendeu-se à família, aos fãs e aos artistas que dizem ter sido "esquecidos durante a pandemia".
O realizador André Caniços e o ator Lourenço Ortigão apresentaram a categoria de Melhor Videoclipe. O vencedor foi o vídeo que ilustra 'CARO', de X-Tense feat. Slow J, sendo a realização da responsabilidade de X-Tense e Gonçalo Carvoeiras.
O Melhor Álbum Jazz foi dado a "Chasing Contradictions", de Ricardo Toscano Trio. Seguiu-se a categoria de Melhor Álbum Fado, com Suse Ribeiro e Pedro Mafama a entregarem a estatueta a "Tudo Recomeça", de Aldina Duarte, que não esteve presente na gala por questões profissionais.
Paulo Flores e Beatriz Frazão deram o Prémio Lusofonia ao brasileiro Pedro Sampaio feat. MC Pedrinho, com o tema 'Dançarina' - canção que teve uma forte expressão em Portugal e andou nos tops em 2022.
O prémio de Melhor Artista Revelação foi entregue pelo músico Eu.Clides (vencedor do ano passado) e Filipa Klut (a representar a Santa Casa da Misericórdia) à cantora e compositora NENA, que deixou o palco com o "coração cheio".
Os pianistas Luís Duarte e Lígia Madeira apresentaram a categoria de Melhor Álbum de Música Clássica/Erudita não sem antes oferecerem ao público com uma atuação ao piano a quatro mãos. "Lamentationes Hebdomadæ: Joseph-Hector Fiocco", do Ensemble Bonne Corde conquistou a estatueta.
Um dos momentos especiais da gala foi a atuação do Coro Mãos que Cantam - o único coro em Portugal constituído por artistas surdos. O grupo subiu ao palco com os Shout! e os Bateu Matou para um medley com as canções nomeadas para Canção do Ano.
Os PLAY continuam a juntar artistas em atuações inéditas. Os Calema, que venceram o prémio para Melhor Grupo, juntaram as vozes às da Mariza e de Nuno Ribeiro. Fernando Daniel atuou com a fadista Beatriz Rosário. Matias Damásio atuou com Nininho Vaz Maia e a cantora Nena cruzou a voz com a cantora Joana Almeirante.
