Animais chegaram ao Hospital Veterinário da Marinha Grande "apavorados e com traumatismos"

Luís Filipe, médico veterinário, relata o estado em que os animais de estimação chegaram ao hospital, e diz que teve de fazer partos a caprinos.

O Hospital Veterinário da Marinha Grande, no distrito de Leiria, nunca deixou de funcionar depois da depressão Kristin ter arrasado a região. Foi graças a um gerador – e às comunicações fixas – que ficou de pé, a trabalhar a 100 por cento, quando à volta tudo ruiu. “Mais ninguém aqui na região tinha luz ou comunicações. A situação foi mesmo muito grave”, conta Luís Filipe, médico veterinário. Ao hospital, chegaram vários animais e a precisar de muitos cuidados. “Vinham assustados, apavorados, com vários tipos de traumatismos, mordidos uns pelos outros, atingidos por estruturas.”

"Chegaram apavorados"

A este hospital chegaram, em média, três a quatro animais por dia – um número muito abaixo do que é normal neste tipo de situações. O médico veterinário não tem grandes dúvidas de qual é a explicação para este facto: a gravidade da situação. “As pessoas ficaram sem água, sem luz, sem casa para dormir. Efetivamente, os amigos de estimação, se calhar, eram prioridades menores”, afirma. 

E não foram apenas animais de estimação que chegaram ao Hospital Veterinário da Marinha Grande. “Tive de fazer partos em caprinos porque não havia ninguém disponível. Já não fazia um parto de caprinos há mais de 20 anos, mas as pessoas estavam aflitas e nós apoiámos como pudemos”, conta o médico veterinário.

"Não fazia um parto de caprinos há mais de 20 anos"