Megalodontes poderiam engolir tubarão branco inteiro
Pesquisa sugere que conseguiam viajar cerca de 7.000 km depois de comer um superpredador moderno.
Um novo estudo de modelagem 3D publicado esta semana na Science Advances mostra que o tubarão gigante extinto, Otodus megalodon, era um verdadeiro superpredador itinerante. Era capaz de cobrir grandes distâncias em pouco tempo e podia comer o maior dos superpredadores vivos modernos, a orca, em cinco mordidas gigantescas. Poderia ter até engolido um grande tubarão branco inteiro.
O maior tubarão que já viveu
Megalodon foi o maior tubarão que já viveu e existiu, há cerca de 23 milhões a 2,6 milhões de anos. Ao mesmo tempo, o seu alcance era enorme: os seus dentes fossilizados foram encontrados em todos os continentes, exceto na Antártida. Esses dentes não são difíceis de reconhecer, pois podem chegar a ter 18 centímetros de comprimento.
O motivo pelo qual este predador foi extinto permanece um mistério. Poderia estar ligado ao arrefecimento global ou à competição de outros predadores, como orcas.
Uma coisa que os cientistas sabem é que o megalodon era grande, mas o quão grande permaneceu um ponto de discórdia entre eles, porque as estimativas anteriores foram efetivamente baseadas em apenas restos fragmentários.
O seu tamanho realmente importa porque ajuda os investigadores a interpretar a sua biologia, os tipos de presas que um animal pode matar e comer, a quantidade de comida de que precisa para sobreviver e a velocidade com que pode viajar.
A questão da dieta é particularmente importante, pois determina o papel e o impacto de um animal no seu ecossistema. Historicamente, pensava-se que o megalodonte se alimentava de presas muito grandes, incluindo grandes baleias. Mas recentemente foi argumentado que pode não ser assim, concluindo que este animal alimentava-se de presas mais pequenas, como focas, golfinhos e pequenas baleias entre dois e sete metros de comprimento. O que teria grandes implicações para a compreensão de como funcionava o ecossistema marinho nessa altura.
O novo modelo desenvolvido sugere que, de facto, que este predador preferia capturar presas muito maiores. Este modelo baseia-se numa simulação de computador que contempla a força do maxilar deste animal. A estimativa dos cientistas aponta que a força do maxilar deste animal equivalia a um carro esmagador de 18 toneladas e a força dependia da massa corporal presumida do animal.
Neste novo estudo, os investigadores baseiam as suas estimativas na modelagem 3D do espécime mais completo conhecido, representado por uma coluna vertebral praticamente intacta, mantida num museu belga. Qualificou-se o seu comprimento total, peso e tamanho de sua abertura a partir do modelo digital completo.
Por fim, estimou-se a velocidade de cruzeiro do megalodonte, o volume de seu estômago, as "viagens" energéticas diárias e a taxa em que, provavelmente, encontrou presas.
Concluiu-se que esse megalodonte em particular tinha cerca de 16 metros de comprimento e pesava mais de 61 toneladas.Consideravelmente maior do que as estimativas recentes de 48 toneladas.
Uma baleia para o pequeno-almoço
Com base noutras vértebras fossilizadas isoladas, os investigadores acreditam que é provável que o maior megalodonte tenha crescido até 20 metros de comprimento. Além disso, determinou-se que a abertura máxima do espécime belga era de cerca de 1,8 metros e que o seu estômago poderia conter 9,5 metros cúbicos de comida.
Isso sugere que poderia ter consumido inteiramente a maior orca viva (cerca de 8 metros) em apenas cinco dentadas.
Hipoteticamente, ele poderia ter comido outro superpredador icónico, o Tiranossauro rex, em apenas três dentadas. Quanto aos grandes tubarões brancos, um megalodonte poderia ter engolido um inteiro.
Os resultados sugerem que o megalodon poderia deslocar-se confortavelmente a mais de 5 quilómetros por hora. Isso é muito mais rápido do que o maior peixe vivo, o tubarão-baleia filtrador, ou mesmo o grande tubarão branco, que nada a cerca de 3 quilómetros por hora.
Este superpredador que atravessava o oceano poderia percorrer grandes distâncias em pouco tempo, aumentando as taxas de encontro de presas e permitindo que ele se movesse rapidamente para aproveitar as mudanças sazonais na abundância de presas.
Os resultados da análise energética sugerem que, tendo comido uma grande orca, esse megalodonte poderia ter viajado cerca de 7.000 km antes de se alimentar novamente.
