APSI e GNR querem travar o aumento dos afogamentos infantis

Entre 2020 e 2022 cerca de 15 crianças morreram por afogamento, mais do dobro do que entre 2017 e 2019.

Em Portugal os afogamentos são a segunda causa de morte acidental mais comum entre os 12 meses e os 14 anos. O alerta é da Organização Mundial da Saúde que leva ao reforço de atenção por parte das autoridades, como a Guarda Nacional Republicana (GNR), e da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI).

Neste Dia Mundial da Prevenção dos Afogamento, a Major Lígia dos Santos, da Divisão de Comunicação e Relações Públicas da GNR, dá conta que entre 2020 e 2022 morreram em média 15 crianças por ano, mais do dobro do que tinha acontecido entre 2017 e 2019, em que a média foi de 7 jovens.

No mesmo sentido, a diretora técnica da APSI, Sandra Nascimento, refere que este "aumento parece estar a tornar-se uma tendência". Destaca que mesmo quando não é fatal, um afogamento pode levar a "lesões neurológicas que deixam sequelas para toda a vida".

No que toca a afogamentos, Sandra Nascimento refere que "pouca água é suficiente" e os perigos não estão apenas em águas maiores como praias e piscinas: "baldes, banheiras, piscinas insufladas" merecem também cuidado redobrado.

A APSI deixa recomendações no que toca à prevenção por parte das famílias e cuidadores, incluindo uma supervisão próxima e focada na criança, a colocação de barreiras físicas que atrasem o acesso da criança à água, a utilização de auxiliares de flutuação para as crianças que ainda não sabem nadar e o desenvolvimento de competências de uma maneira geral – quer a natação quer a avaliação de situações de potencial risco na utilização da água.

Além dos cuidados diários, a diretora técnica da APSI considera necessário que seja implementada uma estratégia nacional de prevenção "que enquadre a atuação do país e de todas as organizações que podem contribuir para a diminuição dos afogamentos". Sugere ainda que seja feito um "registo dos afogamentos harmonizado e integrado que permita conhecer o problema de forma detalhada". No foro privado, em parceria com a DECO e a Associação Portuguesa de Profissionais de Piscinas (APP) foi pedida a "criação de uma legislação que enquadre as piscinas, com requisitos de segurança para a construção, manutenção, utilização e proteção de piscinas".