Aretha Franklin faria hoje 80 anos

"Rainha da Soul", filha do gospel e uma das maiores vozes americanas de sempre.

Aretha Franklin faria hoje 80 anos se fosse viva. A cantora, nascida em Memphis a 25 de março de 1942, foi coroada como "rainha da soul". Aquele que foi um dos grandes ícones vivos da música norte-americana pasmou o mundo com a sua voz de grande projecção. Cantora multifacetada que se adaptou aos vários géneros, Aretha Franklin sempre levou para todas as suas experiências a sua alma gospel, graças ao seu berço familiar cristão.

O seu pai era reverendo numa igreja baptista, onde Aretha Franklin começou a cantar, antes dos sermões do pai.

Nem sempre Aretha contou com os caprichos da sorte. Esteve durante mais de cinco anos mal aproveitada pela Columbia, que tentou fazer de Aretha Franklin uma cantora de standards. E sofreu ainda com um marido prepotente, Ted White, que lhe geria mal os negócios.

Em 1967, a sorte porém muda quando assina pela editora Atlantic, que consegue promover muito melhor o potencial da cantora, sobretudo o produtor e ex-jornalista Jerry Wexler. 'I Never Loved a Man (The Way I Love You)' é o primeiro grande êxito de Aretha Franklin. E converte 'Respect' de Otis Redding num tema mais feminista e frontal.

 

Entre 1967 e meados dos anos 70, tornou-se normal ver Aretha Franklin nos tops de singles da Billboard. Aretha Franklin era presença radiofónica constante, mais que qualquer outro afro-americano. Mais até que o próprio activista histórico Martin Luther King, com quem Aretha Franklin teve uma relação próxima, por intermédio do seu pai, o reverendo C. L. Franklin.

Aretha Franklin afirma-se como um ícone afroamericano fortíssimo e num símbolo da defesa pela igualdade racial. A cantora é até capa da revista Time em junho de 1968.

 

 

A sustentar esta visibilidade está evidentemente o sucesso comercial da cantora, como nos êxitos ‘(You Make Me Feel Like) a Natural Woman’, co-escrita por Carole King, e a mais festiva ‘Chain of Fools’, do álbum de 1968 “Lady Soul”.


Na editora Atlantic, Aretha Franklin colecciona sucessos, através de um estilo próprio que conjuga a emoção da sua voz gospel a uma estrutura rítmica mais profana ligada ao rhythm & blues, seguindo o legado de Ray Charles.Mas a igreja sentiu-se traída com a mudança de rumo de Aretha.

A cantora também vai ficando conhecida pelo seu temperamento. Nunca se sabia muito bem se Aretha aparecia em estúdio. Tudo dependia do seu estado anímico. Uma dessas experiências de estúdio, correspondente ao álbum "Aretha Now", é gravado pouco tempo antes do assassinato de Martin Luther King, e é a última etapa de uma era de soul esperançosa. A balada de Burt Bacharach, 'I Say a Little Prayer', e o abanão feminista 'Think' são exemplos desse maior optimismo.

 

Outra das suas obras de referência  é o grande álbum ao vivo de gospel de Aretha Franklin, “Amazing Grace”, de 1972, gravado numa igreja baptista de Los Angeles. Tornou-se o álbum mais vendido de sempre da cantora, com dois milhões de cópias vendidas.

O falecido cineasta Sidney Pollack filmou as gravações de "Amazing Grace" para um documentário do mesmo nome. Contudo, um problema de sincronização entre som e imagem impediu a publicação à época do documentário. Apesar de hoje debelado o impedimento técnico, Aretha Franklin nunca autorizara em vida a estreia do documentário, já entretanto distribuido, exibido e comercializado nos mais diferentes formatos.  

 

O final dos anos 60 e início dos anos 70 foi na verdade um recheio de pontos altos para Aretha Franklin. Mas depois de uma segunda metade dos anos 70 mais sombria, Aretha Franklin sentiu necessidade de se modernizar, aproximando-se da pop mais comercial, quando assina pela editora Arista em 1980. Sucedem-se ao longo dos anos 80 duetos com estrelas pop com os Eurythmics ou George Michael.

 

Aretha Franklin averbou distinções. Ganhou um total de 18 Grammys. Tornou-se a primeira mulher a ser indigitada para o Rock & Roll Hall of Fame, em 1987. E foi condecorada na Casa Branca, pelo Presidente de Estados Unidos, George W Bush, em 2005, com a Medalha Presidencial da Liberdade.