Arranca o festival ao ar livre Black Cat Cinema
Evento decorre até outubro. Entrevista à curadora Maria Monteiro.
A partir desta quarta-feira, dia 13, e até outubro, decorre o festival de ao ar livre Black Cat Cinema em dois locais de Lisboa: no claustro da Igreja da Graça, na Graça, e no terraço do Palácio do Grilo, no Beato.
Bem mais de 60 filmes vão ser exibidos, para vários gostos, para sempre tendo em conta as sensibilidades do grande público. Essa seleção engloba cinema de todo o mundo, incluindo o europeu, com filmes de referência como “Cinema Paraíso” [na imagem em cima], do italiano Giuseppe Tornatore, “A Pior Pessoa do Mundo”, do norueguês Joachim Trier, ou “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, do francês Jean-Pierre Jeunet. Filmes premiados do cinema brasileiro como “Agente Secreto” e “Ainda Estou Aqui”, clássicos do cinema como “Pulp Fiction”, “O Clube dos Poetas Mortos”, ou “Mulholland Drive”, ou mais antigos como “Casablanca” ou “Quanto Mais Quente Melhor” vão ser também exibidos nas noites de Lisboa.
Há ainda uma estreia nacional em cinema, por intermédio deste festival: o suspense já de 2023 “Saltburn”, realizado pela inglesa Emerald Fennell.
Maria Monteiro é uma das curadoras do Black Cat Cinema. Em entrevista à nossa rádio, a programadora sublinha o festival como uma experiência que transpõe o cinema. “O evento começa muito antes. As portas abrem duas horas antes e nós temos sempre uma curadoria de restauração, uma curadoria de música e uma curadoria de filmes. E então, essa é um bocadinho a essência do Black Cat, que é uma espécie de momento social com a desculpa de ir ao cinema”.
A escolha dos dois espaços ao ar livre é cuidada, como deixa a entender a curadora. “Basicamente, nós estamos no claustro da Igreja da Graça e no Palácio do Grilo, na parte de fora, na fachada. Nós escolhemos estes sítios um bocadinho para complementar os filmes: ou seja, o filme é muito bonito, todas as coisas são bonitas, e nós queríamos que os espaços também fossem espaços bonitos. São sítios históricos, com cultura portuguesa onde nós gostamos de trazer o público. Eu, pelo menos, apesar de ser de Lisboa, nunca tinha ido à Igreja da Graça, então acho que é sempre uma experiência boa e que nós queremos sempre ocupar estes espaços de uma maneira a complementar os filmes”. Associa-se à experiência cinematográfica a possível descoberta dos espaços, incluindo para os próprios lisboetas.
O som é parte importante desta dinâmica de grande ecrã debaixo de um teto alto que se chama céu. “O cinema ao ar livre normalmente tem duas variações. Tem as sessões com os headphones e tem aquelas sessões com um sistema de som. Nós escolhemos a segunda opção exatamente por isso, que é para envolver o espetador e para replicar o melhor possível a experiência de ir ao cinema, mas noutro tipo de contexto. E então, para nós é muito importante a acústica dos espaços, para envolver o espetador no filme como se estivesse exatamente no cinema”, resume Maria Monteiro, a co-curadora, a par do criador Daniel Evans.
Será possível o Black Cat Cinema conseguir mais estreias, além de Saltburn? Seria isso o ideal? “Nós ainda estamos a tentar ver se conseguimos ter outras estreias assim. Para mim e para toda a gente que faz a curadoria do Black Cat, era mesmo muito importante trazermos estes filmes que não tiveram o seu momento nos cinemas portugueses e que foram diretamente para o streaming. Eu, por acaso, tive a sorte de ver o ‘Saltburn’ no cinema em Londres e foi uma experiência que eu gostei tanto que quando estávamos a fazer curadoria foi importante para nós perceber que filmes é que não tiveram este momento no circuito de salas português e que nós podemos dar-lhes esta luz e este espaço para existirem no cinema. Estamos a tentar a ver se conseguimos trazer outras estreias, mas esta [a estreia de ‘Saltburn’] para nós já é uma grande vitória”.
Maria Monteiro defende uma programação de cinema diversa para o Black Cat. “É muito importante para nós a celebração da cultura do cinema e a cultura pop. Nós temos um bocadinho de tudo para toda a gente, um bocadinho de oferta para todos os gostos. Temos de facto assim cinema mais mainstream e mais conhecido. Vamos ter sessões do ‘Crepúsculo’, do ‘Mamma Mia’, que são muito amadas pelo grande público, mas depois acabamos por ter sessões de cinema mais indie, que se calhar nós achamos que não iriam ser assim tão apreciadas ou tão conhecidas, mas que acabam por sempre esgotar. Por exemplo, ‘A Pior Pessoa do Mundo’, que é um filme norueguês que todos os anos esgota. E então tem sido uma experiência muito interessante perceber que temos público para todos os géneros de filmes que acabamos por mostrar”.
A editora Cuca Monga assegura a curadoria musical, que complementa a sessão de cinema. A nível gastronómico, a apostas recaem em street food: pizzas, hambúrgueres, pokes, comida argentina ou kebabs. Maria Monteiro admite que o Black Cat Cinema se vai expandir para outras cidades já este ano. Quanto aos riscos de chuva, a única alternativa viável é o reagendamento da sessão para outra data.
As informações sobre os horários das sessões da Black Cat Cinema e de todo o programa de atividades pode ser consultado no site oficial do festival, neste link.
