Ary dos Santos morreu há 40 anos
Relembramos o poeta, falecido a 18 de janeiro de 1984.
José Carlos Ary dos Santos nasceu a 7 de dezembro de 1937 em Lisboa, cidade onde faleceu em 1984 na sequência de uma cirrose.
Nascido no seio de uma família burguesa, descendente da aristocracia, Ary dos Santos era ainda adolescente quando a família, que o incentivava na escrita, publicou "Asas" - o seu primeiro livro de poesia. A "ousadia" da publicação, pelas mãos da família, não agradou o poeta irreverente que, aos 16 anos, depois da morte da mãe e devido à relação distante que mantinha com o pai, acabou por sair de casa. Foi também nessa altura que teve de se dedicar a diversos biscates para manter o sustento. De vendedor de máquinas de pastilhas elásticas, a paquete ou escriturário, ainda esteve no ramo da publicidade.
A poesia corria-lhe no sangue e a declamação foi uma arte que quis apurar, sobretudo depois de se juntar à Comissão Democrática Eleitoral e ao Partido Comunista, o que o fez estar presente em consecutivas sessões de poesia.
Em 1963, publicou "A Liturgia do Sangue" - a primeira coletânea de poesia a ser editada por vontade própria. Outros tantos livros vieram depois e até a título póstumo. Em 1984, ano em que morreu, Ary dos Santos estava a trabalhar na antologia de poesia "As Palavras das Cantigas", livro editado em 1989, e em "Estrada da Luz - Rua da Saudade". Na bibliografia que assina estão ainda obras como "Adereços, Endereços" (1965), "Insofrimento, In Sofrimento" (1968), "Fotos-grafias" (1971), "As Portas que Abril Abriu" (1975), "Bandeira Comunista" (1977), "O Sangue das Palavras" (1979) ou "20 Anos de Poesia" (1983) são alguns exemplos.
Poeta, homem boémio, um declamador carismático e um agitador rebelde, armava-se com as palavras que queria partilhar com o povo. A marca profunda que deixou na cultura portuguesa estendeu-se também às canções.
Ary dos Santos é autor de mais de 600 poemas que foram cantados, dando, com isso, um novo fulgor à música ligeira portuguesa. Somou colaborações com diversos compositores, como Nuno Nazareth Fernandes, Fernando Tordo, José Mário Branco, Paulo de Carvalho ou António Victorino d' Almeida.
Ary dos Santos foi autor de canções popularizadas no Festival da Canção e depois eternizadas no cancioneiro português. É o caso de 'Desfolhada Portuguesa' (1969), 'Menina do Alto da Serra' (1971), 'Tourada' (1973) ou 'Portugal no Coração' (1979). Também houve toque do poeta no fado, chegando a escrever para gigantes como Amália Rodrigues ou Carlos do Carmo.
Destacamos quando escreveu a letra do histórico fado 'Os Putos', interpretado por Carlos do Carmo, ou quando ajudou a transformar uma letra original de Joaquim Pessoa no icónico alfacinha 'Lisboa, Menina e Moça' (também celebrizado na voz de Carlos do Carmo). Fê-lo ao lado de Fernando Tordo e Paulo de Carvalho.
