"As quotas não fazem uma política de imigração"
António Vitorino, que vai presidir o Conselho Nacional para as Migrações e Asilo, defende que seria tão eficaz fazer um referendo sobre quotas quanto fazer um referendo "sobre se os portugueses acham que o sol deve brilhar todos os dias".
O pacto europeu para as migrações e asilo foi um primeiro passo, mas ainda há um longo caminho. É o que defende António Vitorino, que vai presidir o Conselho Nacional para as Migrações e é antigo diretor da Organização Internacional para as Migrações. À entrada do Summer CEmp em Miranda do Douro, admite que "está de acordo com tudo o que foi aprovado no Pacto das Migrações e do Asilo", mas era uma situação de impasse que se arrastava há anos e que era "empurrado para os vizinhos". Acredita que os próximos dois anos, em que a União Europeia terá de colocar em prática as medidas aprovadas, vão ser determinantes e o momento "vai exigir investimento da parte dos Estados-membros". Só assim será possível garantir que os procedimentos de fronteira funcionam, além de qualificar quem vai "apreciar os pedidos de entrada na União Europeia". Mas é preciso "reconstruir confiança mútua" entre os estados-membros para uma gestão conjunta". Até porque, destaca, "todos os países europeus estão em igualdade de circunstâncias" uma vez que "todos precisam de imigrantes".
António Vitorino, que vai presidir o Conselho Nacional para as Migrações, recusa falar sobre a proposta de um referendo sobre a imigração, que está a ser proposto pelo Chega. "A questão das quotas não faz uma política de imigração", o Comissário para a Imigração e Asilo clarifica que as quotas, são apenas uma maneira de "gerir" e que seria tão eficaz quanto fazer um referendo "sobre se os portugueses acham que o sol deve brilhar todos os dias".
A criminalidade não deve ser julgada pelos "lobos solitários", como lhes chama António Vitorino. Destaca que "a segurança é uma questão indissociável de qualquer política de imigração e existem instrumentos", no entanto, "o que se passou agora na Alemanha é um caso pontual". E que em "um milhão de sírios que vieram para a Alemanha houve um que se radicalizou". Há muitas pessoas que "que se radicalizam e que depois praticam actos de terrorismo e nem sempre esses são oriundos de refugiados ou de imigrantes".
A possibilidade de se candidatar à Presidência da República em 2026 é chamado um "fait divers de silly season". Deixa a nota que até lá "muita água vai correr debaixo do Rio Douro antes da questão se colocar verdadeiramente". Quanto à nomeação de Maria Luísa Albuquerque, António Vitorino brinca que é uma "escolha totalmente inesperada", mas deixa um voto de confiança na nova Comissária Europeia.
