Assembleia popular aprova novas regras de organização da acampada de Lisboa

Uma das novidades foi a alteração da hora das assembleias populares. Passa a realizar-se às 21:00.

A assembleia popular da acampada de Lisboa aprovou hoje um conjunto de propostas para definir a organização e o funcionamento do movimento, incluindo a manutenção de assembleias diárias e a criação de espaços de discussão entre grupos de trabalho.

Na Praça de D. Pedro IV, em Lisboa, a reunião, que começou com 21 minutos de atraso, pelas 21:21, juntou cerca de uma centena de pessoas.

O movimento, que se apresenta como uma estrutura de mobilização de rua, lançou também um ‘site’ na Internet (https://acampada.tech/) com transmissão em direto das assembleias e pedido de doações.

Entre as propostas aprovadas, no 14.º dia de acampamento, esteve a manutenção dos grupos de trabalho como elemento central da construção da acampada, bem como da assembleia popular enquanto espaço de discussão política e orientação do movimento, com possibilidade de apresentação e votação de propostas.

Os participantes aprovaram ainda a realização de assembleias populares todos os dias, às 21:00.

A assembleia popular terá poder deliberativo, com direito a votar propostas apresentadas pelos participantes. Foi rejeitada a possibilidade de transformar as reuniões num espaço exclusivamente dedicado a intervenções e à transmissão de informações, sem propostas ou votações.

No âmbito da organização interna, foi aprovada a criação de um espaço de discussão de temas mais sensíveis, como a segurança e a organização da acampada, após a assembleia popular, num modelo de plenário de delegados dos grupos.

Foi também aprovada a inclusão de todos os participantes num grupo de afinidade, que poderá ser constituído por amigos, colegas de trabalho ou outros elementos, bem como a disponibilização de uma tenda para garantir o anonimato nas assembleias.

As propostas apresentadas pelos participantes terão de ser entregues por escrito, tendo sido também aprovada a possibilidade de diferentes grupos de trabalho apresentarem propostas no início das reuniões, sem necessidade de intervenção oral.

Quanto ao funcionamento das assembleias, ficou definido um limite de três minutos para cada intervenção, tendo sido rejeitado o aumento para cinco minutos.

Por outro lado, foi rejeitada a proposta de votar contra a presença da imprensa e contra a realização de diretos televisivos.

As propostas relativas à estrutura da acampada, que constavam de um documento de cinco páginas, foram discutidas durante mais de duas horas sem incidentes.

Na quinta-feira, o movimento acampada de Lisboa informou que vai voltar a montar tendas e pernoitar na praça do Rossio, no sábado, no final da manifestação que começa às 16:00 no Largo de Camões.

A manifestação sob o mote “Não temos casas, ficam as tendas” tem início marcado para as 16:00, num percurso entre o Largo de Camões, no Chiado, e a praça do Rossio.