Associação da Baixa de Lisboa condena "invasão" de mercado na Praça da Figueira
A Associação de Dinamização da Baixa Pombalina acusa os manifestantes da Acampada de Lisboa de invadirem o espaço.
A Associação de Dinamização da Baixa Pombalina (ADBP) condenou hoje atos de violência registados na noite de sábado no Rossio, particularmente no mercado na Praça da Figueira, acusando os manifestantes da Acampada de Lisboa de invadirem o espaço.
"Durante os incidentes, manifestantes invadiram o espaço do mercado, retirando mesas e bancos das baias, numa situação que colocou em risco a segurança das instalações, dos comerciantes e da própria continuidade da atividade do mercado", afirmou a ADBP, em comunicado, referindo que graças à intervenção da segurança privada presente no local foi possível "evitar consequências potencialmente mais graves".
Em causa está a intervenção policial na madrugada de hoje no Rossio, com a polícia a dispersar os manifestantes da Acampada de Lisboa pelo direito à habitação da Praça D. Pedro IV, tendo-os encaminhado em direção à Praça da Figueira, que se localiza a escassos metros.
Afirmando que "respeita plenamente o direito à manifestação, enquanto direito fundamental de uma sociedade democrática", a associação ADBP disse que "não pode deixar de manifestar a sua profunda preocupação e veemente condenação pelos atos de violência e pelos comportamentos registados na noite de sábado, particularmente no Mercado da Figueira na Praça da Figueira, por si organizado".
Desde 29 de outubro e até 08 de novembro, a Praça da Figueira acolhe um mercado de artesanato, que oferece também vários petiscos.
Para a associação que representa o comércio local, o direito à manifestação não pode justificar comportamentos que coloquem em risco pessoas, bens e atividades económicas, apelando ao sentido de responsabilidade de todos, bem como à adoção de medidas para garantir a segurança de pessoas e bens e "prevenir a repetição de situações semelhantes".
"É possível defender causas e expressar opiniões sem recorrer à violência, à intimidação ou à destruição do trabalho de quem diariamente contribui para a vida da cidade. O direito à manifestação não é incompatível com outros direitos fundamentais. A liberdade de uns termina quando coloca em a causa a liberdade dos outros", expôs.
A este propósito, a ADBP alertou para as consequências económicas e sociais que situações desta natureza provocam na zona da Baixa-Chiado, "onde milhares de trabalhadores desenvolvem a sua atividade e onde centenas de micro, pequenas e médias empresas lutam diariamente pela sua sustentabilidade, assegurando postos de trabalho e contribuindo para a economia de Lisboa".
Por isso, a associação reforçou que "a repetição destes episódios" afeta a confiança dos consumidores e afasta visitantes e turistas, o que pode traduzir-se, a pouco mais de um mês do Natal, numa "quebra de vendas num período particularmente importante para o comércio independente", constituído por centenas de pequenas e médias empresas.
"Estão em risco, neste momento, milhares de postos de trabalho", frisou.
De acordo com a ADBP, a situação gera também "perplexidade e preocupação" junto das unidades hoteleiras da zona, cuja atividade depende da segurança, da tranquilidade e da atratividade deste território histórico da capital.
"A Baixa de Lisboa é um espaço de encontro, de comércio, de cultura e de convívio, que deve ser preservado e respeitado por todos. Não se pode permitir que atos de violência prejudiquem o esforço desenvolvido pelos comerciantes, empresários, trabalhadores e entidades que diariamente trabalham para manter esta zona viva e dinâmica", reforçou.
Desde 17 de outubro que a Acampada de Lisboa se tem concentrado na Praça D. Pedro IV, no Rossio, onde a ADBP prevê instalar o mercado de Natal, entre 13 de novembro e 21 de dezembro.
No entanto, a Acampada de Lisboa já disse que o mercado de Natal não será motivo para que o movimento pelo direito à habitação "arrede pé" deste local.
