Associações criticam falta de apoio à eletrificação de pesados de mercadorias
Dados do primeiro semestre revelam que apenas 0,5% dos pesados de mercadorias novos com mais de 12 toneladas vendidos em Portugal eram elétricos.
As associações Zero e de Utilização de Veículos elétricos (UVE) criticaram a falta de apoios públicos à eletrificação dos veículos pesados de mercadorias, que iria diminuir a dependência do país em relação ao petróleo ou a choques inflacionistas.
Em Portugal, a eletrificação de pesados “permanece praticamente inexistente”, consideram as duas associações, recordando que os últimos dados publicados pelo Instituto de Mobilidade e dos Transportes (IMT) indicam que apenas “0,1% dos veículos pesados de mercadorias eram elétricos, e no caso dos pesados de passageiros, apenas 3,8%”.
Com estes números tão baixos a associação ambientalista e a UVE recordam que a "eletrificação dos veículos pesados é crucial" para executar o Plano Nacional Energia e Clima (PNEC), que prevê uma redução das emissões dos transportes até 40% até 2030.
Nesse sentido, as duas associações pedem apoios semelhantes ao que sucede na maioria dos países da Europa Ocidental: “vários países europeus combinam subsídios à aquisição de pesados de mercadorias elétricos, benefícios fiscais, apoio à instalação da infraestrutura de carregamento, respetivas ligações à rede elétrica e reduções ou isenções de portagens”.
Além disso, em Portugal, a “falta de infraestrutura de carregamento adequada aos veículos pesados constitui um importante obstáculo à eletrificação do transporte rodoviário de mercadorias”, afirmam as duas associações, salientando que, apenas “nos próximos dias” irá entrar “em operação os primeiros pontos de carregamento públicos especificamente destinados” a este tipo de veículos.
“A expectativa é que o número de localizações possa atingir cerca de uma dezena até ao final de 2026”, um “número manifestamente insuficiente para criar as condições necessárias ao investimento dos operadores de transporte pesado de mercadorias em veículos elétricos”, referem.
Esta matéria é uma das prioridades no Plano de Ação de Eletrificação da União Europeia, apresentado em julho deste ano, mas Portugal continua na cauda da Europa.
“Os dados relativos ao primeiro semestre de 2026 confirmam o atraso português em relação aos parceiros europeus: apenas 0,5% dos pesados de mercadorias novos com mais de 12 toneladas vendidos em Portugal eram elétricos, face a 2,3% na média europeia, 9,5% nos Países Baixos, 8,8% na Dinamarca e 7% na Áustria”, referem as duas associações.
“Nos camiões médios e carrinhas com mais de 3,5 e menos de 12 toneladas, a quota elétrica portuguesa atingiu 17,4%, ainda abaixo da média europeia de 21,1% e muito distante dos 69,8% dos Países Baixos, 57,1% da Dinamarca e 29,8% da Alemanha”, acrescenta o comunicado, salientando que a única questão que tem mudado tem sido nos autocarros.
“Os elétricos representaram 55,4% das vendas novas em Portugal, contra 12% no último trimestre de 2025, superando pela primeira vez a média europeia de 28,6%, embora permanecendo abaixo dos 69,6% dos Países Baixos e dos 60,3% da Dinamarca, o que reforça a necessidade de manter e ampliar os apoios públicos à eletrificação do transporte coletivo rodoviário”, consideram.
