Associações de futebol de Leiria e Coimbra adiam todos os jogos
Há clubes atingidos em ambos os distritos.
As Associação de futebol de Leiria e de Coimbra adiaram todos os jogos agendados para este fim de semana devido aos estragos provocados pela passagem da depressão Kristin.
O vice-presidente da associação de Leiria, Carlos Martins, explicou à margem do primeiro Congresso do Futebol Português, na Cidade do Futebol, em Oeiras, a dimensão dos estragos causados pelos ventos, na madrugada de quarta-feira.
“É uma situação de caos completo, temos campos de futebol destruídos, com o piso levantado, balizas destruídas, bancadas derrubadas, pavilhões sem telhado. O estádio [Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria] já todos vimos as imagens. Parece um cenário de guerra”, descreveu Carlos Martins, na zona mista do evento.
O dirigente associativo recordou o pronto adiamento do jogo da 20.ª jornada da II Liga, entre União de Leiria e Paços de Ferreira, que estava marcado para domingo, devido aos danos no recinto leiriense, que, no início do ano, recebeu a fase final da Taça da Liga.
“Também nós, na AF Leiria, adiámos todas as jornadas marcadas para este fim de semana, mas ainda não temos a noção exata da totalidade dos estragos e não sabemos se não teremos de adiar mais uma jornada”, referiu, numa altura em que a região se confronta ainda com dificuldades nas ligações energética e de abastecimento de água, além da destruição provocada pelo mau tempo.
Antevendo a dificuldade na prossecução da atividade de vários clubes da região, Carlos Martins disse confiar no apoio à reconstrução por parte da Federação Portuguesa de Futebol.
“Os nossos clubes conseguiram sempre, foram sempre extraordinários a conseguir arranjar soluções. Só que, neste caso, é a destruição de bens e vai ser preciso um grande apoio e, como tem acontecido sempre, a FPF deverá dar-nos esse apoio”, rematou.
Nas redes sociais, a AFL justificou o adiamento dos jogos com os “elevados danos materiais registados no distrito de Leiria” e com “a necessidade de salvaguardar a segurança de todos os intervenientes”.
O adiamento dos jogos é “por tempo indeterminado”, adiantou a AFP, garantindo estar “a acompanhar a situação no terreno”.
“(…) Oportunamente prestará nova informação relativamente à remarcação dos encontros, logo que estejam reunidas as condições adequadas para a retoma da atividade desportiva”, esclareceu.
Coimbra sem jogos
Em Coimbra, todos os jogos de futebol e de futsal que estavam agendados para o fim de semana foram adiados no distrito, informou hoje a Associação de Futebol.
Contactada pela agência Lusa, fonte da Associação de Futebol de Coimbra confirmou que todos os jogos foram adiados, em todos os escalões.
"Não sabemos ainda as novas datas, porque é necessário o acordo dos clubes. Os jogos podem ser distribuídos pela próxima semana", esclareceu.
Já hoje de manhã, a Académica de Coimbra apelou, na sua página da rede social Facebook, à colaboração da população para contribuir para a construção de uma barreira de proteção com sacos de areia, como medida preventiva e de salvaguarda das infraestruturas da Academia Briosa XXI.
O apelo surgiu depois de terem tido indicações de que o caudal do Rio Mondego poderá voltar a subir de forma significativa, colocando em risco a academia.
"As equipas já se encontram no local a preparar os trabalhos. Sempre que possível, solicita-se que tragam sacos e/ou areia, de forma a reforçar a capacidade de resposta no terreno", indicou.
No distrito há registo de inúmeros prejuízos em instalações desportivas como no Ribeirense, Sourense ou Pereira.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
