Ativistas acusam polícia de violência e prometem avançar com queixa-crime

Acampada pelo direito à habitação anuncia queixa-crime contra a polícia depois de uma noite de confrontos.

Os responsáveis pela acampada pelo direito à habitação, em Lisboa, vão avançar com uma queixa-crime contra a atuação policial durante os confrontos registados esta madrugada. A garantia foi deixada por Priscila Valadão, que contabiliza cerca de 30 feridos entre os manifestantes, na sequência de uma intervenção que classifica como “violenta” e “completamente desproporcional”.

Em declarações às nossas rádios, Priscila Valadão revelou que há vários participantes com ferimentos na cara, na nuca e na cabeça, incluindo pessoas com ferimentos no nariz e situações de cabeça aberta. A responsável admite que poderá haver feridos graves, embora não tenha informação concreta sobre a existência de traumatismos cranianos.

Segundo Priscila Valadão, os advogados que estão a acompanhar os manifestantes detidos estão a preparar uma queixa-crime contra a atuação policial, por alegadas violações das normas que protegem os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

A ativista acusa ainda as forças de segurança de desrespeitarem as orientações internas relativas ao uso da força, nomeadamente as que proíbem bastonadas na cabeça.Priscila Valadão considera que a intervenção policial representa também uma violação do direito constitucional de manifestação e reunião no espaço público.

Apesar dos confrontos, os promotores da acampada garantem que a mobilização vai continuar. Está previsto um novo encontro esta tarde, às 17h00, no Rossio, em Lisboa. À mesma hora, está também convocada uma concentração na Praça D. João I, no Porto, junto da acampada que decorre naquela cidade.O protesto exige medidas para garantir o acesso à habitação e contesta a existência de imóveis devolutos utilizados para fins de especulação imobiliária, incluindo património público que é colocado à venda para exploração privada.“A casa em Portugal, de acordo com a Constituição, tem a prerrogativa de ser para fins de habitação social. Ou seja, é para a gente morar”, defende Priscila Valadão.

A responsável acusa o Governo de não responder às reivindicações dos manifestantes e critica também as políticas laborais e as opções de investimento público, considerando que estão a favorecer os interesses dos mais ricos.Priscila Valadão sustenta que a violência policial procura intimidar quem participa nos protestos e impedir a contestação às políticas governativas.“Essa violência policial é justamente para dar medo às pessoas, para elas não se posicionarem”, afirmou, acrescentando que o movimento não pretende abandonar a luta pelo direito à habitação.

A ativista deixou ainda uma posição contra o envolvimento de Portugal em conflitos armados: “Os nossos filhos não vão ser bomba de canhão para guerra nenhuma”.