Atlântida Film Festival arranca hoje na Filmin

Entrevista ao programador espanhol Joan Sala e homem forte da plataforma.

Nem só de festivais presenciais vive o cinema. Um dos maiores festivais de plataformas televisivas, o Atlântida Film Festival, decorre entre o dia de hoje e 29 de fevereiro, na Filmin Portugal. O foco do Atlântida Film Festival é o novo cinema europeu (e não só).

Na edição portuguesa deste ano do Atlântida Film Festival, um dos maiores destaques é a estreia da primeira longa-metragem da premiada cineasta portuguesa Leonor Teles, BAAN, antes da sua estreia nas nossas salas de cinema ainda este mês (no dia 8).

São 13 os filmes em exibição na Filmin Portugal, numa seleção variada nas origens geográficas e no género. Há documentários, ficções, filmes experimentais, animação, ou até uma fusão de quase todas essas formas.

Para explicar a edição portuguesa deste ano do Atlântida Film Festival, não ninguém melhor que o seu mentor, o programador espanhol e diretor da Filmin, Joan Sala.

O que move o Atlântida Film Festival?
O Atlântida Film Festival já faz parte do ADN da Filmin, não só como plataforma, mas também como distribuidora e recetora de filmes, e também como gosto de dizer, como agente cultural. Se há uma coisa muito clara na Filmin é a multifuncionalidade do cinema, num conceito em que a sétima arte pode funcionar em muitos âmbitos. Um desses âmbitos é o lúdico, outro âmbito é o cinema como ligação à nossa realidade, à nossa história, ao nosso passado, ao nosso presente. Perante esta [abundância] de desinformação nas redes sociais, o cinema é um dos meios mais pertinentes e mais transversais e que nos fazem relacionar com a nossa história. O Atlântida Film Festival está comprometido em aliar a reflexão com o ludismo. É um festival focado na Europa e sobre as problemáticas que temos no nosso continente a níveis político, social e histórico. 
Usamos também este festival para nos ligarmos ao público jovem, que é o que mais utiliza as redes sociais e que está mais atento à realidade. O que lhes propomos é que se relacionem com a realidade através do cinema. Um dos claros problemas que há é a abundância na oferta. Ligamos o televisor e temos mil opções à nossa disposição. 

Quais os filmes que recomenda deste festival?
Estamos muito felizes de ter um filme como Creatura, depois do [produtor e programador] Paulo Branco ter exibido este filme no seu festival [Leffest]. É uma das longas-metragens que está a marcar o cinema espanhol de 2023, graças ao prémio de Melhor Filme Europeu em Cannes. Em Portugal, não tem estreia comercial agendada. É um filme muito ousado, corajoso e invulgar. Vai coincidir a exibição do filme com a cerimónia dos Goyas [os grandes prémios do cinema espanhol], para o qual estão com quatro nomeações. É o segundo filme desta realizadora [Elena Martín], cuja longa-metragem de estreia, Julia, também está na Filmin. Foi o filme de encerrammento do nosso festival presencial da Filmin em Maiorca, no verão passado, com a Rainha [Letizia Ortiz] como espectadora, que ficou encantada com o filme.  


Destacamos também “Regresso à Razão”, que é uma recompilação por parte de Jim Jarmusch, com o seu companheiro [Carter Logan], que juntaram a quatro curtas-metragens de Man Ray e acrescentaram-lhe música. É algo único. Estreou-se no Festival de Cannes.
Temos também a longa-metragem “Safe Place” [filme croata realizado por Juraj Lerotic], graças à colaboração com a Portugal Film. Ganhou o prémio de Melhor Filme no Atlântida Film Festival, em Espanha. É uma belíssima obra.


E finalmente, destaco ainda mais dois filmes: "Fantastic Machine" [de Axel Danielson e Maximilien Van Aertryck], uma proposta documental que alia o reflexivo com o lúdico. [sobre "BAAN", da protuguesa Leonor Teles, que ainda não estava anunciado na altura da entrevista] É um dos meus filmes portugueses preferidos deste ano. 

Mais informações na página do festival da Filmin, neste link.