Audiovisual dos PALOP e Timor-Leste ganha plataforma ao estilo 'LinkedIn'

Projeto pretende criar perfis com informação sobre experiência, trabalhos realizados, contactos, filmografia e 'showreel'.

Profissionais do cinema e audiovisual de países lusófonos africanos e Timor-Leste vão poder divulgar experiência, trabalhos e contactos numa plataforma digital ao estilo 'LinkedIn', a apresentar hoje em Maputo, para facilitar oportunidades e promover a internacionalização.

"Vai ser, ao mesmo tempo, um diretório profissional, ou seja, um local onde os profissionais estão registados, têm um perfil e é possível quer aos profissionais consultarem os colegas, quer a outras entidades e empresas identificarem profissionais para contratos de trabalho, para produção", disse à Lusa Diana Manhiça, realizadora e coordenadora da Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique (AAMCM), uma das dinamizadores da plataforma, apoiada pelo instituto Camões.

A iniciativa surge no âmbito do projeto Rede de Cinema e Audiovisual PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) + Timor-Leste e pretende dar aos profissionais a possibilidade de criar perfis com informação sobre experiência, trabalhos realizados, contactos, filmografia e 'showreel' (vídeo curto).

Na prática, será facilitada a identificação de cada profissional por empresas, produtores e outras entidades que procurem serviços de produção audiovisual nos países abrangidos: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial e Timor-Leste.

"É um LinkedIn [rede profissional digital internacional] do setor audiovisual dos PALOP e Timor-Leste", afirmou Manhiça, acrescentando que a plataforma permitirá ainda divulgar trabalhos e acompanhar oportunidades e atividades relacionadas com o setor nos diferentes países.

A ferramenta poderá ser usada, por exemplo, por um jornalista estrangeiro destacado para Moçambique para realizar uma reportagem e que necessite de um operador de câmara local, podendo consultar perfis, conhecer trabalhos realizados e estabelecer contacto para uma eventual contratação.

Em Moçambique, o mapeamento de profissionais e empresas está em curso e já reúne mais de 400 nomes, entre trabalhadores independentes e empresas, número que deverá aproximar-se dos 600 ou 700 registos nos próximos meses, segundo Manhiça.

O diretório será aberto a profissionais de cinema e audiovisual, televisão, imprensa, criação de conteúdos, produção de vídeo, 'bloggers', 'vloggers', empresas e trabalhadores independentes do setor.

"Obviamente que a nossa relação primordial e os nossos mercados principais são Portugal e o Brasil, mas, por exemplo, Timor-Leste não. O mercado principal de Timor-Leste é a Indonésia e a Austrália", explicou, manifestando o desejo de "chegar mais longe e ter mais impacto".

Além do diretório, a plataforma vai agregar e facilitar a comunicação das atividades da REDE de Cinema e Audiovisual PALOP + TL e incluir uma Agência de Curtas-Metragens, destinada a selecionar obras, negociar direitos de autor e promover a distribuição internacional junto de centros culturais, televisões e festivais.

A iniciativa prevê ainda informação sobre o setor e o desenvolvimento de mecanismos de apoio à atividade audiovisual, estando em curso um estudo sobre a possibilidade de criação de comissões de filmes nos países abrangidos pela rede.

"Estamos a fazer um estudo sobre a possibilidade de se criarem 'film commissions' nestes vários países, ou em conjunto, ou nacionais, ou regionais, provinciais, há muitos modelos", disse Manhiça, acrescentando que o estudo deverá ser apresentado aos ministérios responsáveis pelo setor.

A plataforma, ainda em desenvolvimento será apresentada no final do dia de hoje, no âmbito do FilmLab MZ, em parceria com a 16.ª edição do festival KUGOMA, iniciada em 31 de agosto, em Maputo. A conclusão está prevista para o final deste ano ou início de 2027.

A iniciativa conta, em Moçambique, com o apoio institucional do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas e financiamento do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, através do programa ProCultura, além do patrocínio do CULTIV'ARTE - Fortalecimento das Indústrias Culturais e Criativas em Moçambique, financiado pela União Europeia e implementado pela Expertise France, em parceria com o Ministério da Educação e Cultura.