Aumentam os casos de AVC em pessoas mais novas. Sociedade tem de ser mais "proativa na busca de saúde"

O presidente da Sociedade Portuguesa do AVC diz há muitos adultos com menos de 60 anos que não estão a controlar os fatores de risco.

O número de casos de AVC está a aumentar em idades mais jovens, abaixo dos 60 anos, em Portugal, alerta o presidente da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC).

"As pessoas mais novas não têm conseguido controlar os fatores de risco vascular, como nós desejaríamos. O número de adultos com menos de 60 anos que tem hipertensão arterial, excesso de peso, colesterol elevado, fuma, consome bebidas alcoólicas, é diabético não controlado, é muito elevado. Há cerca de 40 por cento de cidadãos que acumulam mais de quatro fatores de risco não controlados. E, portanto, nós temos um aumento do número de pessoas com menos de 60 anos, que têm nessa idade o seu primeiro Acidente Vascular Cerebral", diz Vítor Tedim Cruz.

O médico lamenta a pouca atenção que é dada aos fatores de risco, sublinhando que a sociedade tem de ser mais proativa na busca da saúde.

"O problema que nós temos na sociedade é mesmo um problema de implementação. Por um lado, garantir que os cidadãos, desde a adolescência, são zelosos pela sua saúde física, orgulhosos de manter o peso, de não ter tensões arteriais elevadas, de fazer exercício físico, ter hábitos de vida saudáveis, não se expor a tóxicos. E isso é que é a verdadeira literacia. Muitas vezes, nós falamos de literacia em saúde, mas falamos sempre de uma forma muito passiva. (...) O que falta à sociedade portuguesa é ser verdadeiramente proativa na busca da saúde", sublinha.

Mas quando falha a prevenção é preciso ser rápido na resposta perante um AVC, e aqui entram em jogo os "três sinais de alerta, os três Fs: fala, face e força, que são aquilo que permite à grande maioria dos cidadãos, serem capazes de identificar o início de um evento e poder atuar imediatamente." Quanto isto acontece, deve ligar ao 112.

E depois do AVC, segue-se um complexo processo de reabilitação: "cada sobrevivente de AVC transforma-se num atleta de alta competição, onde precisa de fazer treinos diários, no mínimo três vezes por semana, para recuperar défices e para depois manter. E todo esse processo, mais uma vez na sociedade portuguesa, é difícil de manter de forma regular, sem interrupções."

O AVC é a principal causa de incapacidade na sociedade portuguesa. Em Portugal há mais de 200 mil portugueses que vivem com sequelas do Acidente Vascular Cerebral.

Pode ouvir em baixo a entrevista com o presidente da SPAVC neste que é o Dia Nacional do Doente com AVC.

ENTREVISTA A VÍTOR TEDIM CRUZ - PRESIDENTE DA SPAVC