Aumento intercalar das pensões supera reposição e pode comprometer despesa futura
O alerta é da presidente do Conselho das Finanças Públicas.
A presidente do Conselho das Finanças Públicas, Nazaré da Costa Cabral, considerou hoje que o aumento intercalar das pensões vai além da reposição do poder de compra, com o risco da despesa assumida a condicionar aumentos salariais futuros.
Ouvida hoje na Comissão de Orçamento e Finanças, no âmbito do Programa de Estabilidade, Nazaré da Costa Cabral, referiu a necessidade de haver “um grande cuidado relativamente à despesa estrutural do Estado”, lembrando a opção que foi feita pelo Governo ao proceder a um aumento intercalar das pensões – de 3,57% a partir de julho.
“Houve aqui um acrescento de despesa pública, de despesa que, por sua vez, também vai afetar o comportamento futuro da despesa incrementando essa despesa em mais mil milhões de euros com pensões e, portanto, temos aqui, de facto, um efeito sobre as pensões que depois pode condicionar outro tipo de despesa nomeadamente de despesa com aumentos salariais os trabalhadores da administração pública”, referiu Nazaré Costa Cabral.
Considerando que atualmente existem necessidades de resposta à inflação, nomeadamente ao nível dos salários da administração pública, a presidente do CFP salientou que perante este cenário “há opções a fazer”, indicando que o Governo já fez uma escolha “que foi de reforçar as pensões, aliás até, diria, para lá do que seria necessário em termos de reposição estrita do repor de compra”
