Autarca de Leiria defende que faltou "experiência de guerra" a Maria Lúcia Amaral
Em entrevista a esta rádio, Gonçalo Lopes nota que depois da depressão Kristin é precisa "um operacional" no terreno e que esse operacional "tem de ter experiência", fator que terá falhado à agora ex-ministra da Administração Interna, a quem reconhece ainda "muitas dificuldades" em perceber o que se passou na região.
O presidente da câmara municipal de Leiria, Gonçalo Lopes, considera que faltou à ministra da Administração Interna "experiência de guerra" para lidar com a depressão Kristin e diz perceber a demissão. Em entrevista a esta rádio, o autarca nota que Maria Lúcia Amaral - que esta terça-feira deixou de ser ministra - não era "adequada ao lugar" que ocupava no Governo.
A liderar uma autarquia que está a iniciar uma longa recuperação depois da passagem, há precisamente duas semanas, de uma tempestade que comparou logo no primeiro dia a um cenário de guerra, Gonçalo Lopes nota que, como em todas as guerras, "há sempre pessoas que vão abaixo e consequências a retirar".
"A ministra teve muitas dificuldades em percecionar o que estávamos a passar. O ambiente é operacional, não é de planeamento estratégico. Isso é a fase a seguir. O que queremos é um operacional, e o operacional tem de estar no terreno. E uma pessoa que tem de estar no terreno, tem de ter experiência. Experiência de guerra. E ali faltou", lamenta o autarca, que assume que a ministra mostrou ainda "alguma dificuldade noutros momentos", mas sem concretizar. Já "do ponto de vista da simpatia, nada a apontar".
"Deixámos de ter uma câmara normal"
Questionado sobre se, sendo assim, Maria Lúcia Amaral falhou na missão que tinha, Gonçalo Lopes adianta que "sim, mas não foi sozinha" e dá o exemplo do que fez no executivo que lidera em Leiria.
"Eu tenho um vereador da Proteção Civil, mas quem manda é o presidente. E todos os vereadores viraram Proteção Civil, deixaram de ser vereadores do Desporto, deixaram de ser vereadores da Cultura e passaram a ser vereadores pós-catástrofe em Leiria. Nós deixamos de ter uma câmara normal", uma mensagem que garante ter transmitido "desde o primeiro dia".
Gonçalo Lopes dá mesmo o mandato como perdido para a depressão Kristin: "Esqueçam este mandato e as vossas ideias, as vossas ambições. Está tudo diferente. O nosso objetivo agora é outro". Se até aqui, garante, estava a ser possível "refinar a qualidade de vida" no município, o objetivo passou a ser o de "voltar rapidamente a colocar Leiria no estado em que estava e que infelizmente ficou muito longe".
Se fosse um jogo, seria o Monopólio, diz o autarca, em que "alguns caem na prisão e ficam lá presos", com a diferença de que "quando voltar a sair, segue" a vida. Só que Leiria estava "quase a chegar à meta" e calhou o "Retroceda à casa de partida".
A ministra da Administração Interna pediu a demissão do cargo na terça-feira, depois da onda de críticas à forma como atuou e geriu a resposta à depressão Kristin que assolou o país há quinze dias.
Segundo a informação divulgada nua nota oficial emitida na terça-feira à noite pela Presidência da República, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, “assumirá transitoriamente as respetivas competências”.
Esta é a primeira demissão do XXV Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro, pouco mais de oito meses depois da sua posse, a 05 de junho de 2025.

