Autoridades brasileiras satisfeitas com votação em Portugal
Embaixador e cônsul-geral em Lisboa dão nota positiva à organização e à participação da comunidade brasileira.
O embaixador do Brasil e o cônsul-geral em Lisboa mostraram-se hoje satisfeitos com a realização das eleições brasileiras na capital portuguesa, que alargou os locais de votação na Cidade Universitária.
"Avalio com a melhor nota que se pode dar", afirmou aos jornalistas, num balanço intermédio da votação que decorre hoje para as eleições gerais no Brasil, que incluem a primeira volta das presidenciais.
"Todo o trabalho que é feito com planeamento e antecedência é para dar certo", as "sessões eleitorais aumentaram, foram diversificadas e as pessoas têm mais conforto para exercer o seu direito de voto", explicou o diplomata, que confia numa diminuição da abstenção.
"Imagino que o comparecimento será superior a 50%", os valores verificados há quatro anos.
"O que nós fizemos foi ampliar os espaços para que as pessoas não sofram nas filas", passando os pontos de votação da Faculdade de Direito também para a Reitoria e para a Faculdade de Letras.
O embaixador agradeceu o apoio da Universidade que "cedeu gratuitamente" os espaços para a realização das eleições.
Já o cônsul do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, recordou que houve um aumento de 74% do número de eleitores inscritos na capital, 79 mil, pelo que foi necessário mais locais de voto.
Encontrou-se "mais 300% de espaço para acolher um aumento de 74%" de eleitores, explicou o cônsul, que agradeceu o apoio da PSP e da Câmara de Lisboa, para "um mega-evento".
Cerca de 80 mil pessoas "é como se fosse um [estádio do] Maracanã lotado em final de campeonato", recordou Alessandro Candeas, que disse ter apostado na comunicação com os eleitores.
"O eleitor entrou aqui já com toda a informação, qual é o seu título e a sessão onde votar, para facilitar. E quem não sabia, havia 'QR codes' [espalhados em vários locais] que ajudavam a encontrar", explicou.
"A ideia é inundar o eleitor de informação para que fique o menos tempo [possível] aqui", acrescentou.
Até ao momento, Alessandro Candeas estima que já tenham votado "perto de 25 mil" eleitores, mas só às 17:00 será feita a contabilidade final.
Em Portugal estão recenseados mais de 134.000 brasileiros, um número aquém do meio milhão de cidadãos do Brasil registados no país, algo que o cônsul admite ser um problema.
"Há muitos cidadãos brasileiros aqui que têm os seus títulos de eleitor registados no Brasil" e outros "chegaram há pouco tempo", pelo que há "essa discrepância entre o número de eleitores efetivos registados e o tamanho da comunidade em Portugal", reconheceu, esperando que as próximas eleições reflitam também um novo crescimento.
Mais de 158 milhões de brasileiros são hoje chamados às urnas para as eleições gerais do país, em que se procura eleger o próximo Presidente, num escrutínio altamente polarizado entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
As eleições, cujo voto é obrigatório no Brasil, pretendem eleger governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais, além do próximo chefe de Estado.
O Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, procura a reeleição aos 80 anos e o seu quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, tenta devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota do pai contra o mesmo adversário que tenta agora derrotar, apesar de as sondagens apontarem para um empate técnico.
Em Lisboa estão inscritos cerca de 79.000 eleitores, no Porto são mais de 47.000 e em Faro perto de 9.000.
Lisboa é o maior ponto de votação de brasileiros no estrangeiro e Portugal é o segundo maior colégio eleitoral no estrangeiro, atrás dos Estados Unidos da América.
