Avenida da República em Gaia vai ter limite de 30 km/h
A Câmara de Gaia propõe um limite de 30 km/h no troço norte da Avenida da República, justificando a medida com a reduzida largura das vias e a segurança rodoviária.
A Câmara de Gaia vota na terça-feira a implementação de um limite máximo de circulação de 30 quilómetros por hora (30km/h) no troço norte da Avenida da República, que já tem duas vias onde antes existia uma ciclovia.
De acordo com uma proposta a que a Lusa teve acesso, na terça-feira será votada a "anulação das posturas municipais de trânsito na Avenida da República, nos troços com ciclovia segregada", bem como a aprovação de posturas de trânsito "para complementar a sinalização horizontal prevista" na "implementação de duas vias na Avenida da República", que já foi concretizada há várias semanas.
Limite de 30 km/h entre o Jardim do Morro e João de Deus
Em causa está um troço entre as ruas de Rocha Leão, junto ao Jardim do Morro, e a Rua de Pádua Correia, junto à estação de metro de João de Deus, que levará nova sinalização vertical a indicar o limite de 30 km/h.
Esta é "uma medida de caráter preventivo e adequada às características do arruamento, designadamente à reduzida largura das vias de circulação, contribuindo para o reforço das condições de segurança rodoviária no local".
Remoção da ciclovia ficou concluída em março
Em 8 de maio, seis meses após o início da remoção da ciclovia, a Câmara de Gaia disse à Lusa que "em breve" a avenida terá "uma faixa de rodagem e uma faixa Bus, pelo que está, assim, garantida a segurança dos utilizadores, a proibição de estacionamento abusivo, bem como a melhoria da logística urbana, seja no serviço de entregas ao comércio ou o transporte de doentes".
Afirmou também então que o estacionamento abusivo "não se normalizou" e "está a ser diariamente combatido e fiscalizado pela Polícia Municipal e demais autoridades".
Na proposta que vai a votação na terça-feira não está identificada a implementação de faixas Bus no segmento em causa da avenida.
No dia 8 de novembro de 2025, funcionários municipais de Gaia começaram a remover os pilareres da ciclovia da Avenida da República, a principal da cidade, pintando por cima das linhas que a delimitavam e que, com o desgaste, foram reaparecendo.
Após uma providência cautelar que interrompeu a remoção, o processo foi concluído em março, mas as pinturas permaneceram durante mais alguns meses, até serem totalmente removidas há algumas semanas, tendo já sido pintada a nova sinalização horizontal.
A implementação de duas faixas para automóveis na Avenida da República foi uma das promessas eleitorais de Luís Filipe Menezes, eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL.
A criação da ciclovia na Avenida da República foi anunciada em maio de 2024 por Eduardo Vítor Rodrigues (PS), ex-presidente da Câmara, como uma “medida de segurança”, uma vez que a circulação de bicicletas e trotinetes já existia, mas sem delimitação protegida, e como forma de controlar o estacionamento abusivo naquela artéria.
Ciclovia custou 92,6 mil euros e não recebeu fundos europeus
A ciclovia da Avenida da República, construída em 2024 e removida em 2025 e 2026, custou 92,6 mil euros, segundo o portal Base, e não chegou a recebeu fundos europeus, após uma candidatura do município ter sido retirada já no atual mandato.
Em abril, a Mubi - Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta afirmou que Gaia "não quer ser uma cidade do século XXI" e está num "retrocesso total", ao remover uma ciclovia em meio urbano, considerando que o sinal que o executivo de Gaia está a dar "é que, em vez de reduzir a dependência do automóvel, o executivo quer reforçá-la", apontando que a retirada da ciclovia numa avenida de serviços e comércio como a da República levou ao estacionamento indevido.
Na Avenida da República, segundo dados facultados pela Câmara de Gaia à Mubi e a que a Lusa teve acesso, entre 2019 e 2024, as colisões, atropelamentos ou despistes envolveram 176 veículos, a maioria dos quais (116) com carros, mais 31 com motos e oito com pesados.
Há ainda registo de 21 ocorrências com outros veículos não especificados, onde se poderão incluir bicicletas e trotinetes, bem como o próprio Metro do Porto, cuja via tem vários atravessamentos ao longo da a
venida.

