Azambuja quer criar 100 lugares de estacionamento pago
A pressão sobre o estacionamento junto à estação ferroviária leva Azambuja a preparar cerca de 100 lugares tarifados e novas regras de circulação.
A Câmara de Azambuja aprovou a consulta pública da revisão do regulamento de trânsito, que prevê cerca de 100 lugares de estacionamento tarifado, num investimento estimado em 700 mil euros, disse hoje à agência Lusa fonte da autarquia.
A proposta de submissão a consulta pública da revisão do regulamento de trânsito foi discutida e aprovada, por maioria, na última reunião do executivo municipal, com os votos favoráveis do PS e da CDU e contra dos eleitos do PSD.
Em declarações à Lusa, a vereadora com o pelouro do trânsito, Ana Coelho, explicou que o objetivo passa por reorganizar o trânsito, o estacionamento e a sinalização, sobretudo em várias artérias centrais da vila e junto à estação ferroviária.
A autarca explicou que a pressão sobre o estacionamento aumentou devido à utilização da estação de Azambuja por pessoas de outros municípios que se deslocam de carro até à vila para apanhar o comboio para Lisboa.
“Isso faz com que as pessoas deixem o carro em qualquer lugar de estacionamento vago e que esses lugares fiquem ocupados o dia inteiro, impedido que as pessoas se possam dirigir ao comércio”, apontou.
Estacionamento tarifado terá limite de três horas
De acordo com a proposta, a que a Lusa teve acesso, a zona tarifada deverá estabelecer um período máximo de três horas para veículos sem autorização de residente ou de atividade económica, prevendo-se ainda que a primeira meia hora do primeiro período diário seja gratuita.
O estacionamento tarifado funcionará nos dias úteis, entre as 09:00 e as 18:00, estando previstas autorizações para residentes, até duas por agregado familiar, e para comerciantes e outras atividades locais.
A proposta prevê ainda isenções para veículos de emergência, forças de segurança, serviços municipais e juntas de freguesia, motociclos e ciclomotores, além dos lugares reservados a pessoas com mobilidade reduzida.
Ana Coelho adiantou que serão instalados 54 parquímetros, com possibilidade de pagamento em dinheiro, cartão e aplicação móvel, sendo o controlo efetuado através da matrícula.
Novos sentidos de circulação e medidas junto às escolas
A revisão do regulamento de trânsito prevê ainda alterações à circulação em várias ruas, nomeadamente através da introdução de sentidos únicos, bem como intervenções destinadas a melhorar a segurança junto às escolas.
Na Rua Afonso Vaz de Azambuja está previsto um sentido único entre a Rua Júlio César dos Santos e a Rua 25 de Abril, enquanto a Rua Maestro João Coelho deverá passar a ter circulação num único sentido, entre outras alterações previstas na proposta.
Está igualmente prevista a criação de uma lomba junto ao Centro Escolar Boavida Canada e alterações à sinalização e às passagens para peões na zona da Escola Secundária de Azambuja.
A autarquia pretende também encaminhar o estacionamento prolongado associado aos utilizadores da estação para parques gratuitos periféricos, nomeadamente o da Praça de Touros Dr. Ortigão Costa, libertando lugares centrais para utilizações de curta duração ligadas ao comércio e aos serviços.
Ana Coelho explicou que a proposta está nesta fase em consulta pública, estimando que o projeto possa ser aprovado até ao final do ano e implementado a partir de 2027.
A autarca esclareceu ainda que dois projetos de estacionamento junto à estação, que poderão aumentar a capacidade disponível, foram apresentados à Infraestruturas de Portugal, mas terão de ser reformulados, pelo que a capacidade final desses parques ainda não está definida.
PSD contesta falta de estudos e fundamentação
Entretanto, em comunicado, o PSD explicou que votou contra a submissão da proposta a consulta pública por considerar que o projeto “continua mal preparado e insuficientemente fundamentado”
Os vereadores sociais-democratas sustentam que continuam por apresentar estudos de mobilidade e tráfego, um levantamento rigoroso da capacidade de estacionamento e uma estratégia integrada de mobilidade para a vila, além de questionar os custos de implementação e fiscalização, o modelo de gestão, os recursos humanos necessários e o impacto financeiro para o município.
“Não podemos aceitar que uma medida que vai criar custos para os cidadãos e condicionar a utilização do espaço público avance sem que o executivo demonstre, com dados e estudos, que esta é efetivamente a melhor solução para Azambuja”, afirmou o vereador do PSD Luís Benavente, citado na nota.
O PSD afirma não ser contra a gestão do estacionamento nem contra soluções destinadas a melhorar a mobilidade, mas sim contra “decisões mal fundamentadas”, a “falta de planeamento” e a “falta de transparência”.
