Bafo africano dos Calema no MEO Marés
Cantora de origem cabo-verdiana Soraia Ramos atuou primeiro, num dia que tem sido bem lusófono.
O concerto dos Calema no festival Marés durou cerca de 75 minutos. O aparato cénico já está rodado em estádios e não podia ser modesto. Ainda assim o que se destaca é o logo simples dos Calema. no palco, além dos constantes fumos. Os Calema aparecem vestidos de branco, tal como as quatro bailarinas, a cor ideal para estes dias de calor.
Em ‘Respirar’, a voz de Sara Correia surge teleguiada. Em ‘Nosso Amor’, a presença da voz feminina é em carne e osso, de Soraia Ramos, que tinha dado o concerto anterior no Palco MEO. Em ‘Leva Tudo’, surge a bandeira do Brasil e os lenços-leques nas mãos das dançarinas. Uma percussão muito ao estilo do folclore português é o bater do gongo para a festança bem africana de ‘Maria Joana’.
Em ‘Chuva de Amor’, sente-se o bafo de África nos fascinantes acordes de guitarra elétrica. Os Calema fazem ainda um grande elogio à campanha de Cabo Verde no Mundial de Futebol e uma ode à lusofonia, antes de cantarem ‘Onde Anda Essa Mulher?’. ‘Casa de Madeira’ é o intervalo introspectivo e mais acústico à festa dos Calena, que fecham o concerto com o tema de abertura, ‘Te Amo’.
Soraia Ramos iniciou a festa africana no Palco MEO, debaixo de uma claridade ofuscante. A cantora cabo-verdiana teve à sua disposição uma banda de quatro músicos e um corpo bem mexido de seis dançarinas. Duas faixas laterais exibem as bandeiras dos PALOP e de Portugal. O tema ‘O Nosso Amor’ mereceu a sua entrega especial. ‘Olha para Nós’ é cantado quando o sol abrasador de hoje dá pequenas tréguas e fornece umas sombras quando se enfia por breves momentos atrás das nuvens. Depois do dueto com Lisandro Cuxi, segue-se uma grande festança africana, rumo ao final, com muita dança à mistura em ‘Pile’ ou ‘Muda’. ‘Nha Terra’ fecha o concerto, ou a forma de Soraia Ramos fazer a sua ‘Sôdade’, ao seu estilo e, claro, em crioulo, num final muito comovente e em alegria.
