Três gestos, um kit e um plano. O que fazer antes, durante e depois de um sismo?

A ANEPC desafia os portugueses a aderir ao exercício nacional "A terra Treme", marcado para as 11h05 desta quinta-feira.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) alerta a população para estar preparada para um sismo de maior magnitude em Portugal. Não se sabe quando irá ocorrer, mas o risco é real.

Por isso, a ANEPC desafia os portugueses a aderir ao final da manha ao exercício "A Terra Treme", marcado para as 11h05 desta quinta-feira, no qual é pedido que faça três gestos de autoproteção: Baixar, Proteger e Aguardar.

"Baixar, ou seja, ficarmos com o nosso corpo mais junto ao solo para não sentirmos tanto a vibração e de algum modo também evitar que possamos ser atirados ao chão pelo movimento das ondas sísmicas. Proteger a cabeça, proteger as partes sensíveis do corpo, se possível com os braços, mas essencialmente colocando-nos debaixo de uma superfície dura. Tipicamente o que recomendamos, uma mesa resistente. Obviamente, não pode ser uma mesa de vidro, tem que ser uma mesa em que o tampo ofereça alguma resistência. Na ausência desse equipamento, procurar colocar-nos, por exemplo, debaixo de uma ombreira de uma porta ou no canto de uma habitação, que são tipicamente zonas mais seguras. E depois o terceiro comportamento, aguardar. Aguardar durante um minuto, considerando aqui o minuto como o tempo médio para o sismo se manifestar e para as ondas sísmicas começarem a passar", explica Carlos Mendes, director nacional de prevenção e gestão de riscos da ANEPC.

Plano familiar de emergência

"Procurar de algum modo que todos os membros do agregado familiar saibam o que fazer, saibam quem tem que tomar conta dos familiares mais idosos, quem tem que tomar conta do animal de estimação, quem tem que acorrer ao vizinho que possa estar acamado ou que possa ter algum tipo de deficiência."

Kit de emergência para três dias

"Um kit pelo menos para 72 horas com água potável, medicamentos essenciais, alguns alimentos que não estraguem, alimentos não perecíveis, mas também com um apito, se for necessário, para poder chamar a atenção das forças de socorro, com uma lanterna a pilhas, com um rádio também a pilhas para ouvir as indicações, procurando ter também um agasalho, não vá o caso do sismo ocorrer numa altura em que o frio também se possa fazer manifestar de forma mais intensa."

Regiões mais sensíveis ao risco sísmico

O sismo pode ocorrer em qualquer parte do país, mas há regiões mais sensíveis em Portugal Continental.

"Estamos a falar da região do Algarve, da região do litoral alentejano, da área metropolitana de Lisboa. Acabam por ser as regiões que estão mais expostas a um sismo de grande magnitude, seja ele com origem numa falha dentro do nosso território, por exemplo, a falha do vale inferior do Tejo, aqui próximo da área metropolitana de Lisboa, seja ele um sismo com origem no mar, tipicamente a sudoeste do Cabo de São Vicente, onde, por exemplo, teve origem o sismo de 1755. Mas independentemente destas regiões serem aquelas que tipicamente poderão estar sujeitas a um sismo que se manifeste com maior intensidade, ou seja, com maiores consequências nas nossas estruturas e na nossa sociedade, importa ter presente que há um conjunto de falhas geológicas no território de Portugal continental e, portanto, não é de excluir que noutros pontos possam ocorrer também sismos, mesmo no norte e no centro do país, ainda que se manifestem com menor intensidade", refere Carlos Mendes.