Bárbara Bandeira de asas abertas para acolher os fãs no Campo Pequeno

Sala cheia (e brilhante) no concerto de apresentação de "Finda", o álbum de estreia da cantora que ontem também se estreou no Campo Pequeno.

Ainda não eram nove da noite e a arena lisboeta já estava cheia de gente. O "casulo" gigante, ontem em tons púrpura e aconchegado com milhares de fãs, estava pronto para a entrada de Bárbara e dos quatro convidados que não faltaram a uma noite "especial", que a cantora esperava que chegasse com frenesim no coração.

A margem de tempo para o início do espetáculo - o primeiro da jovem artista no Campo Pequeno - foi preenchida com uma clara euforia de antecipação. Tiravam-se as últimas fotografias para assinalar a espera e ajeitavam-se as coroas luminosas que muitas mães e filhas usaram para a ocasião. Qualquer movimento na zona do palco agitava as massas.  

Dois ecrãs gigantes, um de cada lado, asseguravam que todos tinham a vista desafogada para o que ia acontecendo durante o espetáculo. Houve momentos mais intimistas, confissões à volta das canções e a partilha com os que fizeram questão de acompanhar o voo de Bárbara: MARO, Carminho, Dillaz e Ivandro.  

"És uma inspiração para mim", lemos, a dada altura, no cartaz que uma pequena fã tinha ao colo. Se a Bárbara não viu a cartolina amarela (decorada com devoção e afeto), saiba então - aqui com o nosso relato - que o é para aquela menina que, heroicamente, erguia o cartaz sempre que podia mesmo estando afastada da fila da frente. É pois uma referência para esta menina e para tantas outras. E outros. A azáfama pré-concerto e a cantoria alegre nas filas ao redor do Campo Pequeno evidenciaram a entrega dos fãs ao percurso da jovem cantora que agora se está a metamorfosear na bonita condição de mulher. Foi também essa transformação que Bárbara quis partilhar com os fãs e não só. Também com os amigos. Agir e Carolina Deslandes, por exemplo, que foram avistados no camarote, não se livraram de ouvir um sonoro aplauso por parte da plateia. 
 
Explosão de alegria, muitos gritos e pulos energéticos quando se escutou o início de 'Finda' (a primeira do álbum), na altura ainda com o palco vazio. Uma borboleta gigante abria as asas, enquanto ouvíamos a voz de Bárbara a encher de comoção o Campo Pequeno. 'Finda' é a canção que a cantora dedica à amiga Sara Carreira, que ontem foi lembrada, mais uma vez, com saudade e doçura.

Transição orgânica para 'Ride' e a esperada entrada em palco de Bárbara Bandeira. A cantora levou consigo uma mão-cheia de músicos que ficaram posicionados um pouco mais atrás, espalhados pelo jardim onírico que serviu de fundo ao palco que se estendia por três rampas. 

"Boa noite", gritou assim que pôs os olhos na arena repleta de gente e ouviu as vozes convictas que cantaram praticamente todas as canções do alinhamento. Escutamos depois temas como 'Ou Não' ou 'Mais Eu', agora com Bárbara Bandeira, ao centro, ladeada por um coro de seis vozes.

"Muito, muito boa noite. Não imaginam o quão feliz eu estou por estar aqui convosco", disse antes de pedir a todos acendessem as lanternas do telemóvel. O "casulo" era agora um céu cheio de estrelas para ouvirmos 'Cidade', a canção que partilha com Bárbara Tinoco. 

"Muito obrigada, como é que vocês estão? É incrível ver caras conhecidas e outras desconhecidas. O próximo momento é muito especial. A próxima canção foi lançada em 2018, mas nunca vou poder deixar de cantá-la", contou Bárbara que fez questão de resgatar temas mais antigos. Bárbara cantou 'Como Eu' com a guitarra acústica nos braços e ao lado de mais três músicos. Todos eles, sentados em rodinha, a trocar acordes e cumplicidades. 

'Defesa' e 'Ego' (também de "Finda") antecederam a entrada de MARO - a primeira convidada - que cantou 'Tudo', nas teclas, no cimo do palco. 

'Nós os Dois' e 'Onde Vais', esta última com a presença de Carminho vieram depois. "Muito obrigada por todo o amor que têm dado a esta canção", disse Bárbara sobre o tema a duas vozes, aproveitando a presença da fadista para lhe dar um abraço demorado e agradecer pela honra de partilharem a canção e o palco.   

Sai Carminho, entra um piano e ouvimos 'Tua'. Sentada em cima do piano, Bárbara Bandeira pede aplausos para quem a ajudou a construir o álbum. "Foi um processo um pouco duro, mas não trocaria por nada", confessou à plateia.

"Tenho sonhado tanto com este dia. Nem acredito que estou aqui. É o terminar de um ciclo e o começar de um novo", explicou, com entusiasmo, ao público que tinha aos pés. "Há pessoas e canções que nunca deixam de fazer sentido. Uma dessas pessoas chama-se Bernardo Agir", lembrou antes de ir buscar ao passado 'A Última Carta'. 

Ouvimos ainda 'Carro', ao lado do rapper Dillaz, e 'Mentirosa'. 'Como Tu', agora ao lado de Ivandro, meteu toda a gente, em êxtase, a ondular os braços. O final foi ao som de 'Cristaliza' e debaixo de uma chuva de borboletas esvoaçantes que voaram para os braços do público que aplaudia, com vigor, a estreia de Bárbara Bandeira no palco do Campo Pequeno.