Bárbara Tinoco: o Coliseu é a sua nova casa
Passo de gigante da cantora de 22 anos na sua primeira noite na sala centenária da capital.
Bárbara Tinoco fez da noite de sábado do Coliseu dos Recreios a sua casa. A cantora teve a forte presença da família. A sua avó, sentada na plateia, falou sobre a troca de correspondência amorosa para o seu namorado (futuro avô de Bárbara), quando este estava de serviço na Guerra Colonial. E no encore, a sua família (incluindo o pai) esteve em força no palco, a cantar uma sátira a Bárbara Tinoco que a apanhou de surpresa.
A cantora abriu o livro de histórias pessoais, como se estivesse num jantar na sala, a recordar episódios antigos e hilariantes, só que fê-lo diante de mais de três mil pessoas.
A artista de 1 metro e 49 centímetros tem um ar de menina inocente de quem vai ser devorada por aquele palco, mas que afinal toma conta dele com ganas e muito à-vontade. A apoiá-la estava uma grande produção, com uma cenografia de janelas, livros e folhas a esvoaçar. Mais importante ainda era o septeto que a auxiliava: um baterista, um vibrafonista (e xilofonista), um baixista, um guitarrista e um teclista, e ainda duas cantoras dos coros, uma delas Joana Almeirante (que já tem uma carreira a solo e integra a banda de Miguel Araújo).
Perante um público infantil numeroso, encenou-se no início do concerto um problema técnico que o animador da Rádio Comercial, João Paulo Sousa, aproveitou para o seu stand up comedy, assumindo uma função de repórter humorista a quem se dá o microfone e o poder para intervir no espetáculo.
Depois da projeção de um vídeo amador do anúncio a Bárbara Tinoco dos concertos no Coliseu dois anos antes, pelo seu manager Pedro Barbosa, na própria sala de espetáculos, o sonho começou a concretizar-se esta noite ao som dos temas 'Estrelas', 'Outras Línguas' ou 'A Fugir de Ser'.
De trança de cabelo até à cintura, Bárbara Tinoco ruma depois até 'Diz-me O Que É Que Fizeste', tema que inspira três danças ao par dentro da banda, enquanto tocavam em simultâneo. Em Noutra Vida, Tinoco canta sentada, ladeada pelas intérpretes dos coros.
A aguardada 'Sei Lá' torna o Coliseu dos Recreios numa sala estrelada por luzes de telemóveis, com Bárbara Tinoco a não caber de emoção no palco, passeando-se no corredor da plateia do Coliseu, enquanto cantava. O concerto de Tinoco é um filme sempre pop, ora mais intimista, ora mais festivo. Mas em 'Loira' e em 'Devia Ir', Bárbara Tinoco e a sua banda tiram outros coelhos da sua cartola, como sons mais funky e soul. 'Advogado', o tema "preferido" do seu pai, é cantado sem o seu parceiro de duetos Carlão.
Quem marcou presença foi Carolina Deslandes, que aparece no palco de cadeira de rodas, depois ter partido o pé horas antes. Nem as crocs que Deslandes calçava, nem o estado febril de que se queixava, perturbou o dueto sentado com Bárbara Tinoco, a sua "melhor amiga". Carolina Deslandes não resiste a defender que Sei Lá de Tinoco devia ter ganho o Globo de Ouro de Melhor Canção, e não o seu tema 'Por um Triz'.
'Gisela', cantado sem António Zambujo, é bem teatralizado por Bárbara Tinoco que insiste em tratar o palco como o seu habitat. 'O Teu Namorado é ainda mais surpreendente, com Bárbara Tinoco a cantar acompanhada mesmo em cima de si pelo semicírculo dos seus músicos todos, que protagonizam estalidos dos dedos a fazerem de castanholas.
'Salada com Molho Cor de Rosa' é cantado em dueto, com Tyoz no meio da plateia. No tema 'Para o Rafael e para a Maria Vitória', sobre a morte na infância, os efeitos de nuvens nos fumos em palco alimentam a transcendência celeste do tema. 'Tragédia' provoca uma pluviosidade de papelinhos.
'Antes Dela Dizer Que Sim' fecha o primeiro dos cinco concertos nos coliseus de Bárbara Tinoco. Este mês, há ainda mais quatro: um em Lisboa (este domingo), dois no Porto e um em São Miguel.




























