"Batalha Atrás de Batalha" com Óscar atrás de Óscar

Só o cineasta Paul Thomas Anderson vence três Óscares.

“Batalha Atrás de Batalha” dominou a cerimónia dos Óscares, com seis estatuetas douradas, três delas, a de Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Argumento Adaptado, para as mãos do cineasta Paul Thomas Anderson, que se estreia com estes famosos prémios nas mãos.

Outro filme papa-Óscares foi, como se esperava, "Sinners", com quatro estatuetas, uma delas o Óscar de Melhor Ator Principal foi atribuido a Michael B. Jordan que, no discurso, não se esqueceu de outros atores afroamericanos também oscarizados no passado, como Sidney Poitier, Denzel Washington ou Jamie Foxx.

O discurso mais emotivo veio da alma de Jesse Buckley, premiada com o Óscar de Melhor Atriz Principal, pelo seu papel no filme "Hamnet". Lembrou a sua família irlandesa que se deslocou à cerimónia, o seu bebé "que está a sonhar com leite", e o "lindíssimo caos que vai no interior de uma mãe", a propósito deste domingo ser o Dia da Mãe no Reino Unido.

O filme “Frankenstein” domina na parte visual com três Óscares, com as vitórias nas categorias de Melhor Guarda-Roupa, de Melhor Caracterização e de Melhor Direção Artíica. 

Amy Madigan venceu o Óscar de Melhor Atriz Secundária, pelo filme “Weapons”. Foi a primeira estatueta a ser entregue no Dolby Theatre, em Los Angeles, na 98ª cerimónia dos Academy Awards. Mais tarde, Sean Penn venceu o Óscar de Melhor Ator Secundário, pelo filme “Batalha Atrás de Batalha”, mas não esteve presente na gala.

O Óscar de Melhor Filme Internacional foi para a Noruega, mais concretamente para o realizador Joachim Trier, através do filme “Valor Sentimental”. Joachim Trier chamou todo o elenco do filme a palco e fez um discurso pela paz, em nome dos nossos filhos. Antes, quem lhe deu o prémio, o ator espanhol Javier Bardem surgiu com a mensagem “Não à Guerra”, e com o repto “Free Palestine”.

Antes, o apresentador Conan O’ Brien fez o seu show humorístico,  declarando-se o último humano a apresentar os Óscares, antes de ser substituido pela Inteligência Artigicial. Imaginou-se a vencer um Óscar numa grande produção shakespeareana. Meteu-se com a Amazon, por nenhuma das suas produções ter conquistado nomeações. E foi mais ousado este ano, ao enfrentar o Presidente dos Estados Unids, Donald Trump, sem o nomear diretamente, por causa do escândalo dos ficheiros Epstein, ao referir que os ingleses estão fora das nomeações de representação, “mas ao menos prenderam os seus pedófilos”.

O entertainer Jimmy Kimmel voltou à carga contra Trump sem também o nomear, na altura de anunciar os Óscares ligados ao cinema documental. Na vitória de “Mr Nobody Against Putin” na categoria de Melhor Documentário em Longa-Metragem, o norte-americano David Borenstein deixou um sério aviso quanto aos comportamentos cúmplices diante do crescimento de uma ditadura como a Rússia, mas enviando um recado claro à atual situação interna nos Estados Unidos, onde a liberdade civil parece em causa, por causa do atual executivo na Casa Branca.

Há dois grandes perdedores óbvios, os filmes "Marty Supreme" e o brasileiro "Agente Secreto", que não venceram qualquer Óscar.

Um tributo musical ao filme “Sinners”, muito ambientado nos blues, envolveu a participação de um numeroso contingente de músicos como Brittany Howard, Miles Caton ou Raphael Saadiq, entre outros. Esse foi um dos momentos musicais mais marcantes da noite

No tributo aos falecidos da Sétima Arte nos últimos 12 meses, houve uma homenagem especial ao cineasta Rob Reiner e também à atriz Diane Keaton.e ao ator Robert Redford. Barbra Streisand cantou em memória de Redford, com quem contracenou.

É de referir que houve um empate técnico a merecer dois vencedores na categoria de Melhor Curta-Metragem, para os filmes “The Singers” e “Two People Exchanging Saliva”. Desta segunda curta, há a curiosidade de uma das oscarizadas ser iraniana.