Bateu Matou vão dar baile no Lux: "queremos que as pessoas estejam realmente juntas"
Riot, Ivo Costa e Quim Albergaria vão atuar em formato 360º no Lux Frágil a 13 de março. Quim Albergaria deu-nos mais pormenores sobre o concerto.
Os Bateu Matou vão dar um concerto especial, em formato 360º, no Lux Frágil, em Lisboa, no próximo dia 13 de março.
Riot, Ivo Costa e Quim Albergaria vão atuar no chão e rodeados pelo público, tal como "o baile deve ser vivido", como dizem. Os bilhetes custam 20 euros e estão à venda nos locais habituais e online em ticketline.pt.
O concerto especial - e no qual os três bateristas vão estrear dois temas novos - acompanha a edição em vinil do álbum "Batedeira" - disco editado em março de 2024 e com o qual o projeto tem andado na estrada (dentro e fora do país).
A edição em vinil do segundo disco dos Bateu Matou chega com dois temas extra que foram gravados ao vivo no conceituado Montreux Jazz Festival, na Suíça, onde o grupo atuou em julho.
O trio também partilhou recentemente o videoclipe que ilustra 'Cavalinho' - o quinto single do álbum que agora vai ser apresentado ao público na capital portuguesa.
Quero começar pelo concerto especial 360º que estão a preparar para o Lux Frágil. O que é que vai acontecer?
É uma vontade e um sonho antigos. E é a razão de ser dos Bateu Matou. Estarmos no chão, com gente à volta. Estarmos olhos nos olhos com quem está no baile é algo que sempre quisemos fazer, mas ainda não tínhamos tido oportunidade. Decidimos que seria perfeito apresentar o "Batedeira" desta forma no primeiro sítio onde fôssemos tocar em Lisboa. Queríamos que o regresso à nossa cidade fosse neste formato. No chão, no meio das pessoas. Quisemos fazer o baile, todos juntos, na nossa cidade. Estamos muito contentes por podermos fazer isso. Vai ser uma experiência nova dos Bateu Matou. E, na verdade, é uma experiência que tinha mesmo de acontecer. A nossa música é precisamente sobre isso. É sobre estar perto das pessoas. É um baile solto e verdadeiro. Com muito suor e olhos nos olhos.
Um espírito comunitário criado com o poder agregador da música...
O baile é necessário. E é necessário mais do que nunca. As pessoas precisam de sentir essa união. Atualmente estamos muito separados uns dos outros. A ilusão de união, que é criada pelos telemóveis e por esse tipo de coisas, não permite que estejamos realmente juntos. E essa é a razão de ser deste baile. Queremos que as pessoas estejam verdadeiramente juntas.
A própria fusão de géneros musicais, a mistura de culturas nos sons pode ser uma boa premissa para recuperar o espírito de união...
Sem dúvida. Com a ilusão de estarmos sempre ligados, acabamos por estar muito sozinhos. É preciso haver momentos como os que vamos viver com este concerto.
E vão ter convidados?
Desta vez vamos ser só nós. Vamos apresentar em Lisboa o que fizemos na estrada neste primeiro ano de "Batedeira". Já é um concerto oleado. Mas também temos uma prenda guardada para o público. Vamos estrear duas canções ao vivo. Temos esse miminho para quem nos for ver. Estes concertos de chão e de proximidade também servem para experimentar coisas novas. E as pessoas que forem ao concerto vão ouvir duas músicas novas em exclusivo.
E qual é o rescaldo que fazem de um ano de "Batedeira"?
Musicalmente falando, estamos num sítio novo. Em novos territórios. Estamos cada vez mais percussivos. É mais sobre o ritmo. E temos cada vez mais vontade de fazer o baile para juntar as pessoas. Estamos a levar isso a lugares aonde ainda não tínhamos estado. Fizemos uma pequena tour pela Europa pela primeira vez e essa viagem inaugurou novos territórios. Estivemos em países como a Espanha, Suíça e Alemanha. E certamente que vamos voltar a fazer isso durante este ano. Por cá, também tivemos a oportunidade de atuar em festivais muito fixes. E também queremos continuar a fazer isso. Agora temos o formato de 360º, que é o formato que o "Batedeira" nos exigiu. Exigiu-nos algo mais comunal, com maior proximidade. Vamos fazer mais alguns concertos nesse formato [além do concerto no Lux], sendo que o próximo é no dia 29 [de março] na Guarda. Resumindo, mais ritmo, mais proximidade e mais países.
Qual é que foi a reação ao vosso som lá fora?
Havia dúvidas quanto a isso, porque fazemos uma mistura de ritmos, línguas, dialetos ou expressões que são muito característica daqui. É uma mistura muito nossa. O certo é que a coisa acaba por bater. Talvez bata por ser algo tão nosso e tão genuíno. Bate e funciona. O ritmo é universal. Era o que acontecia com os Buraka [Som Sistema]. Era algo muito específico mas, por outro lado, como era genuíno e tinha um ritmo muito elementar e essencial era suficiente para as pessoas entenderem. E funciona muito bem. Também há baile na Suíça e na Alemanha. (risos)
Vocês também partilharam agora o videoclipe do tema 'Cavalinho' e sei que usaram ferramentas que foram buscar à inteligência artificial. Qual é a tua opinião sobre a utilização da inteligência artificial (IA) na música?
Acho que é muito fixe enquanto recurso criativo, mas não pode ser substituta da criatividade. Em certas situações, não é muito diferente de usar um sintetizador para fazer um som diferente de piano. Mas quando a inteligência artificial serve para copiar não acho ético. Acho que pode ser incrível enquanto ferramenta e pode ser um facilitador de criatividade. Mas é horrível, se for usada com o propósito de imitação ou de substituição. Nós recorremos à inteligência artificial para o vídeo de 'Cavalinho' porque queríamos imagens absurdas e alucinadas de cavalos a correr num supermercado. Não íamos conseguir isso apenas com uma câmera e cavalos. Também acho que tem de ser criada legislação em relação à forma de como a inteligência artificial pode aprender. Pode aprender sem ser pela imitação e isso é algo difícil de navegar.
O que é que quiseram transmitir com o vídeo do 'Cavalinho'?
Queríamos criar uma imagem para a loucura que acaba por ser a canção. É uma canção para abrir as pistas de dança, muito energética. Precisávamos de algo que chamasse a atenção das pessoas para a música e queríamos que esse lado louco, alegre e desbragado do tema estivesse refletido visualmente. Foi um vídeo que fizemos em absoluta independência. Fomos nós os três que fizemos o vídeo, com a ajuda da IA.
E em relação ao futuro dos Bateu Matou, o que é que podes contar?
Já estamos a fazer coisas novas. O "Batedeira" e a digressão deram-nos vontade de fazer coisas novas. Falo de coisas com mais ritmo, mais nossas. Coisas que soassem a Bateu Matou enquanto banda e não enquanto grupo de produtores. Já começámos a fazer sessões e temos músicas bastante adiantadas que queremos experimentar ao vivo durante o verão. Muito em breve sairá um single do novo álbum que talvez seja editado ainda este ano.
