Beatriz Pessoa: "sempre quis ser cantora"
Entrevista à jovem cantora nacional que lança o seu segundo EP, "II".
Beatriz Pessoa tem novo disco nas lojas desde há dias: o EP "II". O título dá logo uma informação crucial, é o seu segundo EP. Depois do disco de estreia, "Insects", mais perfumado pelo jazz, Beatriz Pessoa vira-se agora para a pop. O seu trajeto como ouvinte foi inverso. "O meu gosto pessoal começou mais pela pop, apesar de eu ter sempre ouvido muito jazz em casa por causa dos meus pais. Tanto o meu pai, como a minha mãe sempre ouviram muito jazz. O jazz sempre esteve presente mas só comecei a dar-lhe mais valor mais tarde. A verdade é que a pop teve sempre mais presença na minha infância e adolescência que o jazz".
Beatriz Pessoa nunca precisou de ter um momento de chamamento para perceber que era ao microfone que queria estar na vida. "Acho que sempre cantei, não me lembro da altura em que tive um chamamento. Mas lembro-me da primeira vez em que era isto que eu queria fazer enquanto trabalho. Naquela altura em que me perguntavam o que queria ser quando fosse grande, comecei a responder: cantora. Lembro-me mais disso do que propriamente do chamamento para cantora".
A cantora nacional, sempre sorridente, teve este ano um momento mais mediático quando assumiu a vocalização da canção da brasileira Mallu Magalhães, 'Eu Te Amo'. "Eu já conhecia a Mallu através dos concertos dela. Ela acabou por me fazer o convite. Um dia, fui à casa dela, onde me tocou várias músicas que seriam opção para o festival. Sempre quis que eu fizesse parte do processo, o que foi importante e muito bonito da parte dela. Foi muito bom ter trabalhado com ela, aprendi muito. O convite surgiu dessa partilha musical mútua. Oiço a música da Mallu desde que me lembro de ouvir música. Sempre segui o trabalho dela. Ela tocou o 'Eu Te Amo'. Gostei muito de ouvir a música. A letra tem um poema muito bonito. A partir daí, foi um trabalho incrível da Mallu, o arranjo da música estava muito bonito".
A canção foi declarada, e festejada, como apurada para a final do Festival da Canção. Mas um erro na contagem da pontuação, só detetado mais tarde, levou à eliminação de 'Eu Te Amo' e ao apuramento de Rui David (com composição de Jorge Palma). A confusão "chateou um bocadinho mas não foi isso que ficou do festival. Os erros acontecem. Tanto eu como a Mallu [Magalhães, compositora], como outro participante, ninguém estava ali com o intuito de competição ou de ganhar. Portanto, acho que foi tudo muito descontraído. E seguimos em frente e já passou".
Beatriz Pessoa fez parte da seleção de compositores para o novo álbum da fadista Cristina Branco, "Branco", juntamente com outros grandes nomes da música portuguesa, como Sérgio Godinho ou Jorge Cruz (dos Diabo na Cruz). "Eu recebi o convite através da Cristina. Na altura, ela falou-me de uma temática que seria o princípio de um amor. Sendo eu uma jovem, era um assunto com que me identificava muito. Nesse mesmo dia, sentei-me ao piano e comecei a compor. E saiu o 'Namora Comigo'".
Além da participação no Festival da Canção e da honra de ter composto para Cristina Branco, Beatriz Pessoa está a aparecer nos maiores festivais. Já passou pelo EDP Cool Jazz e este ano está confirmada na edição deste ano do NOS Alive, com um concerto no pitoresco Palco Coreto a 13 de julho. Só falta um álbum. "Prefiro fazer as coisas devagarinho para quando lançar um álbum, ter a certeza do que estou a lançar e conseguir defender bem a minha música. Esta questão de escrever em português foi importante para mim. Quero que o álbum tenha muitas músicas em português. Por isso, acho que está para breve".
E qual será o modelo de cantora que Beatriz Pessoa idealiza? "Tenho muitos artistas como exemplo, como a Björk, a Laura Mvula, a Lianne La Havas, a Mallu [Magalhães], a Elis Regina. Artistas portugueses como a Manuela Azevedo [vocalista dos Clã] ou Joana Espadinha, que foi minha professora".
