Bernie Sanders propõe fundo com 50% do capital das gigantes de IA
Ações seriam alocadas num fundo gerido pelo Governo federal, avaliado em cerca de 7.000 biliões de dólares, resultando em 1.000 dólares para cada norte-americano.
O senador norte-americano Bernie Sanders apresentou na quinta-feira um projeto de lei para destinar metade do capital dos gigantes tecnológicos a um fundo soberano, o mais ambicioso plano até agora para redistribuir a crescente riqueza da inteligência artificial (IA).
O projeto de lei estabeleceria um "imposto único", pago em ações em vez de dinheiro, equivalente a metade do capital de empresas relacionadas com a IA com receitas de pelo menos 200 milhões de dólares.
As ações seriam alocadas num fundo gerido pelo Governo federal, avaliado em cerca de 7.000 biliões de dólares, com um dividendo anual de 5%, o que permitiria que mais de 1.000 dólares fossem pagos a cada norte-americano.
"Não podemos mais ficar de braços cruzados e deixar que um punhado de oligarcas da tecnologia decida o futuro desta tecnologia revolucionária sem qualquer participação democrática", destacou o senador independente de esquerda.
O projeto de lei tem poucas hipóteses de ser aprovado. Mas, defendida por esta figura política de grande visibilidade, a proposta deverá ter peso no crescente debate nacional sobre a distribuição da riqueza proveniente da economia da IA e o seu impacto no emprego.
O Presidente Donald Trump levantou a ideia de o Governo comprar ações destas empresas, encarando-a como uma forma de "parceria com o povo americano".
Para surpresa de muitos observadores, o seu Governo já adquiriu participações em diversas empresas (mineração, semicondutores ou computação quântica).
Segundo o portal Semafor, a Casa Branca está dividida sobre como estruturar os potenciais investimentos em gigantes tecnológicos.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, defende a utilização destas ações para financiar "contas Trump" para as crianças norte-americanas, enquanto o secretário do Comércio, Howard Lutnick, prefere um fundo soberano.
Sam Altman, diretor da OpenAI, a empresa por detrás do ChatGPT, fez lobby junto de Donald Trump no ano passado para investimentos públicos em IA.
O seu rival, Dario Amodei, CEO da Anthropic, criadora do Claude, afirmou estar preparado para considerar aumentos de impostos caso o mercado de trabalho seja permanentemente enfraquecido pela IA.
Apesar do crescimento exponencial das receitas, estas duas empresas norte-americanas líderes ainda estão longe da rentabilidade sustentável e sofrem pressão para angariar as somas colossais necessárias para compensar a falta de poder computacional.
A proposta de Sanders ecoa a de Elizabeth Warren, outra senadora popular de esquerda, que defendeu um imposto sobre as empresas de IA para apoiar os trabalhadores despedidos.
