Bicicletas arrancadas e docas destruídas. Rede Gira regista grandes prejuízos desde o início do ano

Informação foi revelada pela Câmara Municipal de Lisboa esta quinta-feira.

A rede Gira de bicicletas partilhadas de Lisboa registou este ano “avultados prejuízos” com a destruição de “mais de 1.400 docas” e 1.000 bicicletas arrancadas indevidamente, em “mais de 700 atos de vandalismo”, revelou a Câmara Municipal de Lisboa (CML) esta quinta-feira.

Em resposta à agência Lusa, a CML confirmou que a empresa EMEL, que gere a mobilidade na cidade, “regista uma vaga de criminalidade mais agressiva, focada não só na destruição de docas e equipamento, mas também no furto de bicicletas”, situação de vandalismo que a autarquia considerou “bastante grave”.

“Esta nova vaga de crimes contra a rede Gira ocorre de forma violenta, gratuita e inesperada, através da destruição de tampas, cablagens e sensores eletrónicos, e tem tido um efeito devastador na disponibilidade do serviço”, afirmou o executivo municipal liderado pelo social-democrata Carlos Moedas.

700 atos de vandalismo desde o início do ano

De acordo com a CML, desde o início deste ano e até ao momento, já foram contabilizados mais de 700 atos de vandalismo, que resultaram na destruição de mais de 1.400 docas e no furto de mais de 1.000 bicicletas arrancadas das docas, em que “a grande maioria” é recuperada no próprio dia, com recurso ao GPS existente no equipamento.

“Tudo isto causa, naturalmente, graves prejuízos e constrangimentos aos utilizadores da rede Gira”, apontou a autarquia, detalhando que, entre 2017 e 2025, foram realizadas mais de 12 mil reparações de equipamentos vandalizados, num prejuízo acumulado, até ao momento, que “ultrapassa os três milhões de euros”.

"Atual ciclo de destruição”, começou no final de 2025

Relativamente ao “atual ciclo de destruição”, iniciado desde o final de 2025, os prejuízos já estão em “cerca de 400 mil euros”, indicou o município, sem adiantar quantas estações da rede Gira estão inoperacionais, nem quando se prevê a resolução do problema, e realçando o “desafio logístico e financeiro” que é manter o sistema de mobilidade suave a funcionar na capital.

Na resposta, o vice-presidente da CML, Gonçalo Reis (PSD), que tem o pelouro da Mobilidade, frisou que estes atos de vandalismo têm “um impacto muito negativo na qualidade de um serviço que é utilizado diariamente por milhares de lisboetas” e salientou o esforço que a empresa municipal EMEL tem feito na manutenção e reparação dos equipamentos.

“Vamos continuar a investir na rede e vamos aumentar a fiscalização para garantir que quem utiliza o sistema de bicicletas Gira continua a contar com uma boa oferta de bicicletas partilhadas na cidade”, garantiu o autarca.

A agência Lusa solicitou dados sobre problemas na rede Gira à EMEL - Empresa de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa, aguardando ainda uma resposta.