Björk incentiva Gronelândia a avançar para a Independência

Cantora islandesa condena eventual anexação pelos Estados Unidos e crítica o colonialismo dinamarquês.

Björk ressurge com a sua velha causa de defesa da Independência da Gronelândia, já expressa no seu tema de 2008 ‘Declare Independence’, em que deseja hoje num post nas redes sociais o seu desejo “a todos os gronelandeses” “na sua luta” pela autodeterminação, num contexto de forte ameaça militar dos Estados Unidos em anexar o território do Ártico para exploração económica dos recursos naturais e como bastião militar avantajado.

Björk tanto crítica o ímpeto imperialista do Presidente norte-americano Donald Trump, como o domínio colonial do atual país administrador, a Dinamarca. “O colonialismo causa-me arrepios de horror repetidamente. E a possibilidade de os meus compatriotas gronelandeses passarem de um colonizador cruel para outro é demasiado brutal para sequer imaginar”. E recorre ao lema do seu povo, os islandeses, "Úr öskunni í eldinn" [“das cinzas para o fogo”], para dar alento ao povo vizinho a norte.

Björk lembra os vários abusos coloniais da Dinamarca sobre o povo gronelandês: “transbordo de compaixão pelos gronelandeses vezes sem conta. Sobretudo quando surgiu o caso da contraceção forçada, em que 4.500 raparigas, algumas com apenas 12 anos, receberam um DIU [Dispositivo Intrauterino, uma pequena peça em forma de T inserida no útero] sem o seu conhecimento entre 1966 e 1970. Têm [hoje] a minha idade ou são mais novas, sem filhos. E ainda hoje os dinamarqueses tratam os gronelandeses como se fossem cidadãos de segunda” e dá como exemplo a separação forçada das “crianças dos seus pais em 2025”.

Como islandesa, Björk lembra o domínio colonial da Dinamarca sobre a sua ilha. “Os islandeses estão extremamente aliviados por se terem conseguido separar dos dinamarqueses em 1944. Não perdemos a língua (os meus filhos estariam a falar dinamarquês agora)”.

O seu tema ‘Declare Independence’ defende ainda a independência das Ilhas Feroe, também administradas pela Dinamarca. Björk chegou a interpretar este tema no grande festival dinamarquês de Roskilde com várias bandeiras da Gronelândia e das Ilhas Feroe a serem hasteadas. Sob o lema deste tema, Björk já expressou o seu apoio à independência de outras nações como o Tibete (controlado pela China), a Escócia (administrada por Inglaterra) e a Catalunha (integrada no reino de Espanha).