Bob Dylan: "a arrogância extrema pode ter consequências desastrosas"

Ver Bob Dylan a dar entrevistas é coisa rara. Ao New York Times, o músico veterano falou da morte de George Floyd, da pandemia Covid-19 e do novo disco que vai lançar no dia 19 de junho.

"Rough and Rowdy Ways" é o nome do novo disco de Bob Dylan que chegará às lojas e plataformas digitais na próxima sexta-feira, dia 19 de junho. É o primeiro álbum de originais que Dylan edita em 8 anos e o sucessor de "Tempest" - o último registo original do músico e compositor.

A propósito do lançamento do novo álbum, Bob Dylan conversou com o historiador e autor norte-americano, Douglas Brinkley. A entrevista foi publicada pelo New York Times no final da semana passada. 

A agitação social que se vive nos Estados Unidos, na sequência da morte de George Floyd, e o impacto do novo coronavírus no mundo foram alguns dos assuntos abordados na conversa. Ficaram ainda guardadas algumas linhas para o processo de composição do novo disco.

"Enojou-me ver o George [Floyd] a ser torturado até à morte daquela forma. Foi além de muito feito. Esperemos que se faça justiça para Floyd e para a nação", disse Dylan. 

Quando questionado sobre se a pandemia do novo coronavírus seria um sinal bíblico, Bob Dylan respondeu: "Eu acho que é um sinal de algo mais que está por vir. É uma invasão, com certeza, e é generalizada, mas bíblica? Refere-se a um tipo de sinal de alerta para as pessoas se arrependerem dos erros que cometeram? Isso implicaria que o mundo estivesse na fila para algum tipo de punição divina", disse o Nobel da Literatura. "A arrogância extrema pode ter consequências desastrosas. Talvez estejamos à beira da destruição. Há inúmeras formas de refletir sobre este vírus. Acho que temos de deixar seguir o seu curso", acrescentou o músico de 79 anos.

Sobre a noção de mortalidade, Dylan também deixou algumas reflexões. "Penso muito na morte da raça humana. Penso na longa e estranha viagem do macaco sem pelo. A vida de todos é transitória. Todo o ser humano, por mais poder que tenha, é frágil quando chega a hora da morte".

Em relação ao novo disco, o músico veterano disse que as músicas resultaram daquilo a que chamou de "fluxo de consciência". "Rough and Rowdy Ways" já tem três singles de apresentação, entre os quais 'Murder Most Foul', um tema de 17 minutos que versa sobre a morte do presidente norte-americano John F. Kennedy em 1963.