Book 2.0 volta em setembro com mais IA e democracia

Confirmados 35 oradores da política, economia e empresas, saúde, tecnologia, educação, media, setor editorial e livreiro.

Os desafios da Inteligência Artificial (IA), a aposta na democracia e o cruzamento entre educação, cultura, saúde e economia são os “pilares estratégicos” da quarta edição do Book 2.0, que decorre de 15 a 16 de setembro, em Lisboa.

“O Book 2.0 é uma panela onde misturamos várias coisas”, afirmou hoje o presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), Miguel Pauseiro, na conferência de imprensa de apresentação do evento, que este ano tem como lema “Back to Basics. Back to Books”.

O programa reflete isso mesmo, contando com a participação de 35 oradores confirmados, de áreas tão distintas como política, economia e empresas, saúde, tecnologia, educação, media, setor editorial e livreiro, entre outras.

O cardeal, poeta e teólogo português José Tolentino Mendonça - prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação no Vaticano - é uma das figuras que marcará presença, para falar sobre “Um mundo que avança mais rápido do que os seus próprios valores”, levando até ao público uma reflexão sobre a relação entre literatura, ética e espiritualidade.

O ex-presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, os ministros Margarida Balseiro Lopes (Cultura, Juventude e Desporto) e Gonçalo Matias (Reforma do Estado), o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, o vereador da Cultura, Diogo Moura, e o ex-ministro da Educação Nuno Crato são outros dos oradores nacionais.

“Temos de envolver diferentes áreas governamentais, mas também a sociedade civil. E as crianças, precisamos de ter os professores connosco. Queremos mobilizar para ações concretas, pois foi para isso que nasceu o Book 2.0”, explicou Miguel Pauseiro, destacando o “espaço simbólico” em que este ano decorre o evento: o Centro Cultural de Belém (CCB).

Para o presidente da APEL a convocação de todas estas áreas governamentais, que permitirá levar os livros mais longe, é fundamental num “país que precisa de estratégia para o livro e para a literacia”.

Miguel Pauseiro recordou que Portugal tem dos números mais baixos da Europa de literacia, de compra de livros e de livrarias especializadas, razão por que acredita que é preciso “puxar muto pela criatividade”.

“Neste quadro, se continuarmos a fazer o mesmo que há 50 anos, não saímos daqui. Temos de acelerar, ainda para mais, começa a verificar-se na Europa uma inflexão”, o que é um sinal de alerta a nível global, considerou, referindo o “recuo nos índices de leitura e no quociente de inteligência das novas gerações” que está a preocupar alguns investigadores.

A escritora britânica de policiais Cara Hunter vai debruçar-se sobre novas formas de violência, misoginia e as ansiedades que moldam as gerações mais jovens, e como a ficção criminal pode espelhar e desafiar estas questões.

O presidente da APEL defende que é preciso “destruir a ideia do livro associado a uma elite” e disseminar que todos podem ter acesso aos livros, seja comprando, emprestando ou requisitando em bibliotecas.

A 4.ª edição do Book 2.0 vai assentar em três pilares, o primeiro dos quais é “os desafios que o setor editorial e livreiro tem de enfrentar, como a IA e o seu uso desregulado, ou a captação de novos públicos”.

Os outros dois são o cruzamento entre as diferentes áreas sociais, e a vertente da democracia e liberdade, que “não existem sem livro, sem espírito critico e sem capacidade de distinguir entre o que é verdade e mentira”.

Uma das presenças em destaque é a ex-primeira-ministra da Finlândia, Sanna Marin, que abre o segundo dia de evento com uma reflexão sobre a ligação entre leitura, democracia e participação cívica, e como a literacia fortalece a liberdade e inspira novas gerações para sociedades democráticas sólidas.

Para falar sobre a perspetiva do setor editorial e livreiro internacional, estarão presentes dois diretores editoriais, o espanhol Joan Tarrida e a italiana Alessandra Carra, juntamente com a britânica Rebecca Jones, ex-correspondente de arte da BBC.

“Uma das ambições do Book 2.0 é internacionalizarmo-nos. Inserimo-nos na Europa, inserimo-nos no mundo. Trazer estas perspetivas para aprender com quem está melhor do que nós”, afirmou Miguel Pauseiro.

O alemão Markus Dohl, ex-diretor executivo da Penguin Random House, vem falar sobre o negócio do livro, na perspetiva de editor e livreiro, enquanto o autor norte-americano Nathan Hill falará sobre estratégias para vender mais livros.

O médico Luís Portela, o jornalista de televisão Mário Augusto, a escritora, cantora e compositora Luísa Sobral, a romancista Rita Canas Mendes são outros dos oradores.

A área da saúde é, de resto, um das que assume maior importância no encontro, que conta ainda com a participação do médico espanhol Manuel Sans Segarra e da presidente do conselho clínico da Lusíadas Saúde, Maria Eduarda Reis.

Para refletir sobre a aceleração tecnológica da IA e o impacto que terá, o advogado e ex-deputado Adolfo Mesquita Nunes vai falar de direito, tecnologia e neurociência, enquanto a professora da Universidade Lusófona Célia Oliveira abordará a forma como o recurso à IA tem resultados imediatos mas compromete a longo prazo a captura de conhecimento.

Miguel Pauseiro destacou também uma sessão dedicada ao cruzamento entre moda e literatura, que explora a nova ligação entre marcas de moda e livros, analisando casos de sucesso como o Soho Reading Series e o MiuMiu Literary Club, enquadrando o livro como experiência analógica e atividade social.

As inscrições para o Book 2.0 estão abertas a partir de hoje e, tal como sucedeu nas edições anteriores, durante o evento serão apresentados os resultados do estudo da APEL sobre os hábitos de compra e leitura em Portugal.